🔎 Estudo de Ativos - Duolingo (DUOL)
- Alexandre Palazzo
- 6 de set. de 2025
- 8 min de leitura
Uma Aposta no Futuro da Educação Digital ou uma Futura Peça de Museu?
Por Alexandre Palazzo, o Monge
Setembro de 2025
Resumo
Duolingo é um dos melhores apps já desenvolvidos. Ensina de forma “gameficada” a crianças e adultos que desejam aprender novas línguas ou estudar assuntos como matemática e física.
A empresa cresce em ritmo rápido e já virou para o lucro, repetindo a história de sucesso de outras empresas jovens como Uber, Netflix e Amazon.
Existe um temor muito grande de que a empresa vai se tornar obsoleta por conta da IA. De onde eu vejo, deve acontecer o exato contrário.
Realizei uma primeira entrada em DUOL em julho/25. Desde lá o preço da ação só caiu 🫠. Estou pensando em comprar mais.
O artigo é um estudo para uso pessoal que eu compartilho com os leitores do Monge Investidor. Nada do que você vai ler é recomendação de investimentos.
Introdução
No mundo acelerado da tecnologia educacional, poucas empresas capturam a imaginação como a Duolingo (DUOL). Fundada em Pittsburgh em 2011 e listada na bolsa desde 2021, a companhia transforma o aprendizado de idiomas em um jogo viciante, com mais de 100 milhões de usuários ativos mensais. Mas será que essa estrela da edtech se encaixa em uma estratégia de investimento rigorosa, voltada para ativos de alta qualidade, renda passiva e crescimento sustentável? Antes de investir na empresa, mergulhei nos números para avaliar os fundamentos do papel. Hoje, já comprado, verifico se o recente tombo da ação representa uma nova e melhor oportunidade de compra. Vamos explorar isso de forma clara e acessível, com dados atualizados em 06/09/25. O material é complementar ao vídeo sobre a empresa que vamos apresentar em 11/09/25 no Youtube. Fique ligado lá! 🔔

Fundamentos Sólidos com Espaço para Crescimento
A Duolingo opera um modelo freemium que atrai usuários com aulas gratuitas e monetiza via assinaturas (Duolingo Plus), anúncios e testes de proficiência em inglês. Em 2024, a empresa reportou US$ 531 milhões em receita, um aumento de 45% em relação ao ano anterior, com lucro líquido de US$ 16 milhões, marcando seu primeiro ano lucrativo. O balanço patrimonial é robusto, com US$ 747 milhões em caixa e zero dívida, oferecendo flexibilidade para expansão. A capitalização de mercado está em cerca de US$ 12,43 bilhões, com valor de empresa de US$ 11,42 bilhões, refletindo a posição de caixa forte. As métricas de valuation mostram um P/E trailing de 111,14 e forward de 60,24, indicando expectativas altas de crescimento, mas também um preço premium (caro). O engajamento de usuários é o destaque, com usuários ativos diários crescendo 60% para 31,4 milhões no primeiro trimestre de 2025, impulsionado por recursos virais como sequências e leaderboards.

Histórico: Crescimento Explosivo em Tempo Curto
A Duolingo está no mercado como empresa de capital aberto há apenas quatro anos, desde o IPO em julho de 2021 a US$ 102 por ação, o que limita uma análise de CAGR mais sólida (gosto de olhar para 10 anos no passado e 5 no futuro). A receita teve um CAGR de 42,5% desde 2020, e os lucros por ação viraram positivos, de uma perda de US$ 0,38 por ação em 2022 para US$ 0,57 em 2024. O papel atingiu um pico de US$ 540,68 em maio de 2025, mas caiu 46,4% para US$ 289,98 no início de setembro, refletindo ceticismo sobre a desaceleração do crescimento.

Futuro: Projeções Otimistas, mas Dependentes de Inovação
Os analistas preveem um crescimento robusto nos próximos 3-5 anos, com CAGR de lucros por ação em 50,78%, impulsionado pela expansão de usuários e monetização. A receita deve crescer 29,7% no próximo ano, desacelerando para 25-30% CAGR até 2030, com foco em planos familiares e mercados não ingleses. O preço da ação poderia alcançar US$ 500-700 até 2030 em cenários otimistas, implicando um CAGR de 20-30% a partir dos níveis atuais, mas isso depende da manutenção do crescimento de usuários em meio à concorrência de IA e de outros aplicativos semelhantes, de market share também significativo.

Fluxo de Caixa Livre por Ação: Um Destaque Promissor
A Duolingo gerou US$ 0,14 bilhão em FCF em 2023, um aumento de 221,67% em relação a 2022, com FCF por ação em ~US$ 3,40. Nos últimos três anos, o CAGR do FCF foi de cerca de 1368,69% a partir de uma base baixa, estabilizando para 20-30% nos próximos 3-5 anos, à medida que os custos de aquisição de usuários se nivelam. Estes números superam meu alvo de >10% ao ano, tornando o papel extremamente atraente para o crescimento financeiro do portfolio.

Qualidade da Gestão: Competente e Inovadora
A qualidade da gestão é alta, liderada pelo CEO Luis von Ahn, cofundador com formação em ciência da computação pela Carnegie Mellon e sucesso anterior com a criação do CAPTCHA. A equipe executou bem os planos dos fundadores, transformando prejuízos em lucros enquanto escala usuários crescia 60% ao ano. O conselho inclui especialistas em tech diversos, e a posse de insiders é de ~13%, alinhando incentivos. A empresa deu uma escorregada ao tentar se alinhar com DEI/woke, mas parece já estar retomando os trilhos, focando na qualidade de seus produtos.

Moat Competitivo: Moderado, com Riscos de Disrupção
O moat da Duolingo é moderado, baseado em efeitos de rede (mais de 100 milhões de usuários criando conteúdo) e gamificação (sequências, leaderboards promovendo hábitos), mas vulnerável a cópias ou tutores de IA. A lealdade à marca e os dados sobre padrões de aprendizado são fortes, mas não tão amplos quanto o moat de busca do Google. Pessoalmente, vejo meu filho e seus colegas (o guri vai fazer 12 este ano) adorarem o programa, competirem pelas melhores notas e, o mais importante, se divertirem aprendendo. Esse vínculo do DUOL com relações sociais reais dá a ele uma tremenda vantagem competitiva no público infantil. Todo novo coleguinha de escola que não usar o aplicativo vai receber o marketing positivo do resto da meninada, enquanto os pais se sentem seguros por entender como o app funciona, ao contrário de uma Inteligência Artificial ou programa criado agora, sem a mesma “procedência”, tentando concorrer com a Duolingo.

Tese de Investimento: A IA Não Destruirá Empresas de Software
Sobre a minha tese de que a IA não destruirá empresas de software (escrevi um artigo sobre esse tópico há algumas semanas, link aqui), existem argumentos convincentes de ambos os lados. Pelo lado positivo, a IA aprimora a eficiência do software em vez de substituí-lo - ferramentas como GitHub Copilot aumentam a produtividade de desenvolvedores em 55%, permitindo inovação mais rápida sem perda de empregos. Empresas de software adaptam-se integrando IA, como o crescimento do Azure AI da Microsoft, transformando ameaça em oportunidade.
A supervisão humana permanece essencial para criatividade e ética, e a IA cria novos empregos em ciência de dados, conforme estudos mostrando 85 milhões de empregos deslocados, mas 97 milhões criados até 2025. Contra a tese, a IA poderia commoditizar papéis de software, com ferramentas como ChatGPT automatizando codificação e levando a mais demissões em tech. Empresas arriscam obsolescência se a IA oferecer melhores produtos criados in-house pelo próprio consumidor final. Por outro lado, custos éticos e energéticos (treinamento de IA usa energia colossal, e são precisos muitos anos para colocar uma nova fonte de energia em funcionamento) adicionam obstáculos ao rápido desenvolvimento da IA generativa. No geral, os argumentos “a favor” superam os contrários, pois a IA amplia em vez de aniquilar o software. A vigilância, todavia, é a chave. Estou otimista, mas de olhos abertos.
Para mim, a Inteligência Artificial é uma revolução semelhante à invenção da eletricidade, da máquina industrial e da internet. A vida vai mudar, mas as empresas que usarem melhor essa nova computação irão prosperar ao invés de serem trocadas por algo mais barato. Duolingo está contratando - o número de funcionários tem crescido de ano em ano, mostrando que a empresa planeja crescer enquanto usa a IA generativa para melhorar seus produtos.

Conclusão: o Encaixe com Minha Estratégia
A Duolingo se encaixa bem em minha estratégia, se desconsiderarmos os dividendos que ela não paga e os buybacks que ela ainda não faz. Por ser uma empresa jovem, estes dois argumentos podem ser tranquilamente desconsiderados. Uber, Amazon, Netflix e outras gigantes tech não deram lucro no começo e distribuíram muitas ações aos seus gestores como compensation. Depois, vimos o lucro chegar, o FCF crescer e por fim, algum retorno aos acionistas na forma de dividendo e/ou buybacks.
Seu crescimento de FCF por ação (estimativa futura de 20-30%) supera meu alvo de >10%, e a qualidade da gestão é forte, apoiando um trabalho primoroso. O moat de gamificação e dados de usuários alinha com assimetrias de diversificação, e seu alcance global auxilia a robustez contra crises regionais.
Considerando o recente tombo - a DUOL caiu de US$ 540,68 em maio de 2025 para US$ 268,46 no início de setembro, impulsionado pela desaceleração de novos usuários e por medos da IA - a análise técnica mostra uma tendência bearish de curto prazo. A ação negocia abaixo de sua MA de 50 dias (US$ 300) e MA de 200 dias (US$ 280) sugerindo mais downside para US$ 250. A DA Davidson rebaixou o papel para “hold” com alvo de US$ 300, citando desaceleração de novos usuários.
Lembro muito bem quando caiu em 75% a ação da Netflix com uma narrativa muito parecida: A Disney e outros provedores de streaming comeriam o seu almoço. Houve uma perda líquida de assinantes e ninguém mais ia querer o conteúdo da empresa. Depois disso, Netflix só subiu e virou um dos monstros do SP500. Aquela lição ficou gravada em mim, que não comprei na época 😭, e sinto o cheiro da mesma coisa acontecendo agora.
Cabe uma nova entrada minha em Duolingo? Sim. Porém, somente quando o gráfico semanal nos der uma reversão de tendência junto à linha de suporte de seu canal histórico de alta (ver a figura abaixo). Estamos quase lá. O Estocástico lento já nos dá uma luz no fim do túnel, mas não é preciso pegar a faca caindo e tentar adivinhar o fundo - vou esperar mais um pouco. O plano é comprar mais no primeiro sinal de exaustão da queda e virada para cima no semanal. Os fundamentos já estão prontos, falta só a análise técnica me dar luz verde.
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