💡 A Inteligência Artificial vai afundar as empresas de software?
- Alexandre Palazzo
- 27 de ago. de 2025
- 7 min de leitura
Atualizado: 29 de ago. de 2025
Uma análise cobrindo 3 holdings da carteira do Monge.
Por Alexandre Palazzo, o “Monge”
Publicado em Agosto de 2025
Nível de Profundidade: básico
Resumo
O mercado tem vendido empresas de sofware com medo de que os LLMs “devorem o seu almoço”.
Empresas de software dominantes em seus nichos, como ADBE, DUOL e CRM estão usando a IA a seu favor.
Os resultados iniciais divulgados por estas empresas parecem fortalecer a minha tese de que elas estão descontadas e que o mercado está errado.
No momento, cerca de 25% da carteira estão investidos nessas empresas e nessa tese. Nunca dou all-in, pois posso estat errado.
No médio prazo, se eu estiver certo, a carteira vai performar acima do S&P500 por alguns anos. Se eu estiver errado, estes 25% podem virar pó (estatei atento para sair antes que isso aconteça).

Introdução
Saudações, investidor! Obrigado pelo seu interesse em minha análise sobre o impacto das tecnologias emergentes no setor de software. Como “gestor” da minha própria carteira pública de ativos no exterior, disponível na playlist “Investimentos do Monge” do Youtube do Monge Investidor (link aqui), preparei este artigo para organizar, verificar e então compartilhar minha visão atualizada sobre se os grandes modelos de linguagem (LLMs, na sigla em inglês) poderiam substituir a indústria de software como um todo.
A tese, que mantenho firme, é de que esses modelos não vão suplantar o setor, mas sim evoluí-lo, atuando como potentes amplificadores que integram ecossistemas existentes para impulsionar eficiência, inovação e crescimento de receitas. Isso se alinha perfeitamente com as posições que tenho em empresas como Salesforce (CRM), Duolingo (DUOL) e Adobe (ADBE), cada uma representando cerca de 8% do portfólio total, e que não só demonstram resiliência, mas também estão ativamente incorporando IA para reforçar suas vantagens competitivas. Vou explicar isso de forma detalhada, começando por uma visão geral e depois analisando cada investimento, com base em dados recentes até meados de 2025.
De modo geral, os LLMs, como os que alimentam ferramentas da OpenAI, Anthropic e Google, são disruptivos, sem dúvida, mas a ideia de que eles vão substituir completamente a indústria de software é um exagero alimentado por hype - o tal “gritedo”, como dizemos no Sul, dos influencers, analistas e jornalistas, todos falando a mesma coisa, feito papagaios. Mas eu não invisto em narrativas, eu invisto em fatos e números. Pesquisas e relatórios do setor indicam que esses modelos estão principalmente aprimorando fluxos de trabalho em engenharia de software, acelerando a geração de código, depuração e documentação, em vez de eliminar a necessidade de supervisão humana ou de arquiteturas de sistemas complexas.
Por exemplo, em grandes empresas de tecnologia e startups de IA, desenvolvedores relatam usar LLMs para até 30-40% das tarefas rotineiras, mas enfatizam que a engenharia de requisitos robusta e o expertise em domínios específicos continuam insubstituíveis. As tendências apontam para os LLMs como um “ingrediente secreto” nos ciclos de desenvolvimento de software, melhorando a produtividade sem deslocar a indústria. A adoção mais ampla mostra que o mercado de LLMs está crescendo para apoiar o software, não para substituí-lo: até 2025, mais de 70% das empresas estão integrando esses modelos em ferramentas existentes, o que deve gerar mais de US$ 50 bilhões em gastos adicionais com software.
Na outra ponta, críticos destacam falhas, como alucinações na geração de código ou preocupações éticas (um programa já ajudou um garoto a cometer suicídio), que reforçam que os LLMs são ferramentas, não soluções prontas. Em setores como manufatura, eles funcionam como interfaces conversacionais, mas a infraestrutura de software subjacente persiste. As avaliações no setor de software refletem isso: os múltiplos de SaaS (“Software como Serviço”, tradução livre minha) se estabilizaram em 8-10 vezes a receita futura, acima das mínimas de 2023, à medida que a integração de IA impulsiona as perspectivas de crescimento sem canibalização.
Por tudo isso, ainda entendo que os LLMs transformam o setor, por meio de modelos menores e especializados ou agentes autônomos, mas a indústria de software se adapta e prospera com isso. Claro, há riscos a monitorar, como se LLMs de código aberto commoditizarem nichos específicos, como o desenvolvimento de apps básicos, o que poderia comprimir margens para empresas puramente de software. No entanto, os incumbentes com moats de dados e ecossistemas vastos e profundamente integrados aos seus assinantes estão melhor posicionados. Este foi exatamente o que aconteceu, pelo menos até agora, com as minhas holdings.
Investimentos do Monge
Falando especificamente da carteira pública, as posições em CRM, DUOL e ADBE exemplificam líderes em software que transformam os LLMs em ventos favoráveis, o que me leva a pensar em manutenção ou até adições seletivas.
Começando pela Salesforce (CRM), sua integração de IA via Einstein e Agentforce é um caso clássico de aprimoramento em vez de substituição. Em resultados divulgados recentemente, os recursos impulsionados por IA contribuíram para um crescimento de 11% ano a ano na receita, atingindo mais de US$ 38 bilhões, com margens expandindo para 32% graças às eficiências da IA. O Agentforce, uma plataforma de agentes de IA, está sendo adotado rapidamente em serviços financeiros e automação de vendas, com diretores financeiros citando-o como um motor-chave de crescimento para 2025. Embora a orientação (guidance) para 2026 tenha sido cautelosa, com crescimento de um dígito médio (expressão usada para algo na casa dos 5%), isso reflete ventos contrários macroeconômicos, não ameaças da IA – e alguns analistas notam que os agentes de IA oferecem uma “diferenciação competitiva”. A ação negocia a cerca de 7 vezes o EV/vendas, subvalorizada considerando margens de FCF acima de 20%. Isso reforça o que eu buscava nessa empresa: a IA fortalece o domínio do ecossistema da CRM, fazendo com que ela não apenas sobreviva, mas prospere.
Passando para a Duolingo (DUOL), sua virada para uma abordagem “IA-first” tem superalimentado o crescimento, contrariando diretamente os temores de substituição. Nos resultados do segundo trimestre de 2025, o crescimento de receita foi de 45% ano a ano, alcançando mais de US$ 240 milhões, impulsionado por recursos de IA como lições personalizadas e o nível de assinatura Max, que aumentou o engajamento de usuários e os assinantes pagos em 60%. A ação subiu 14% após os resultados, com guidance elevado para o ano fiscal de 2025 em mais de US$ 990 milhões em receita, e economias de custo da IA – como a substituição de alguns contratados – melhorando as margens de EBITDA para acima de 25%. A repercussão negativa sobre demissões relacionadas à IA foi passageira, pois os resultados provam o modelo: usuários ativos diários atingiram 110 milhões, com inovações de IA como novos cursos expandindo o mercado de edtech, o nicho da Duolingo. Negociando a cerca de 15 vezes as vendas futuras, é um prêmio justificado pela trajetória de crescimento acima de 40%. Isso se alinha perfeitamente com minha tese de investimento: a DUOL usa LLMs para escalar, sem estar ameaçada pela obsolescência.
Por fim, a Adobe (ADBE) com suas ferramentas Firefly e GenStudio baseadas em IA está redefinindo o software criativo, transformando uma potencial disrupção em um motor de crescimento. No segundo trimestre fiscal de 2025, o ARR impulsionado por IA cresceu 12% ano a ano, levando a uma revisão para cima na orientação de EPS para US$ 20,50-20,70 no ano. Inovações apresentadas no Summit 2025 em análise de IA e gerenciamento de conteúdo destacam sua liderança, com 65% dos executivos esperando que a IA impulsione o crescimento de 2025. Relatórios de tendências digitais mostram que a IA transforma fluxos de trabalho sem erodir a participação de mercado da Adobe – a receita anualizada atingiu mais de US$ 20 bilhões, com margens brutas acima de 50%. Análises SWOT notam competição crescente de ferramentas de IA abertas, mas as vantagens de dados da Adobe (eles conhecem profundamente os hábitos, processos e necessidades de cada cliente) mitigam isso. Negociando a cerca de 11 vezes as vendas, é uma oportunidade de buy-the-dip em aplicativos aprimorados por IA. Isso solidifica minha crença: a ADBE integra LLMs para manter sua dominância.
Conclusão
Os LLMs evoluem a indústria de software, beneficiando incumbentes adaptáveis como os 3 que estudamos aqii. Não vejo necessidade de vendas imediatas – mas estarei atento aos resultados do terceiro trimestre por sinais macroeconômicos. Com exposição total de 24% no portfólio, percebo a exposição ao setor como equilibrado; se a adoção de IA acelerar ainda mais estas empresas, essas posições poderiam superar os benchmarks em 15-20% anualizados. Se der tudo errado, saio arranhado mas volto para a luta no dia seguinte.
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