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🔎 Estudo de ativos - Amazon (AMZN)

Atualizado: 23 de ago. de 2025

A Maior Posição do Meu Portfólio em 2025


Por Alexandre Palazzo, o Monge

Agosto/2025


Resumo

  1. Amazon é uma empresa de qualidade excepcional, exercendo liderança em e-commerce (38% do mercado nos EUA), computação em nuvem (AWS, 32% do mercado global) e publicidade digital.

  2. Possui forte geração de fluxo de caixa livre (US$ 61,8 bilhões no TTM), dívida controlada (dívida/EBITDA ~0,51), rating de crédito AA- e crescimento robusto. FCF per share sobe ~15% ao ano, destacando-se entre as minhas posições de growth. EPS projetado para crescer 15,5% ao ano, acima da média do mercado (14,7%). Tem ainda um histórico de crescimento de receita (CAGR ~20% desde 1997) e superação de estimativas de lucros (8/10 trimestres).

  3. Pela regularidade de sucesso em seus negócios, e pelo método simples e competitivo (investir, inovar, crescer, lucrar, repetir), considero a empresa altamente previsível, o que não é consenso no mercado.

  4. Riscos: Concorrência (ex.: Temu, Microsoft Azure), regulação antitruste (FTC, UE) e volatilidade de preço devido ao alto valuation (P/E 33,95). Menos segura que empresas defensivas, mas a diversificação reduz riscos setoriais, assim como alcance global reduz riscos regionais.

  5. Potencial de Onipresença: Entrada em saúde (Amazon Pharmacy, One Medical), alimentos (Whole Foods) e IA (Alexa, Q-powered AI) pode torná-la quase onipresente, usada direta/indiretamente por milhões diariamente. É uma candidata a se tornar “dona do mundo” em termos de serviços ao varejo. Amazon, assim como Google, me lembram aquela empresa do desenho animado “Wall-E”, da Pixar, chamada Buy-n-Large, que era dona de todas as coisas no planeta e fora dele. No entanto, regulação, concorrência e barreiras culturais (ex.: China) impedem um domínio global absoluto.


Introdução

Falando comigo mesmo, considero a minha posição em Amazon, de cara, a mais polêmica. Não tanto pelo tamanho (20% da carteira pública de ações nos EUA, que vocês podem acompanhar nos vídeos semanais do nosso canal no Youtube), mas pq em termos numéricos, a empresa não passaria pelos meus filtros de análise. A quantidade de ações só cresce, valuation alto num setor que já subiu um monte, o caixa é errante, ela não paga dividendos e andou fazendo algumas aquisições. Tudo ao contrário do que eu prego! Mas então como diabos AMZN foi parar justamente na posição mais importante da minha carteira? Por questões que os números sozinhos não explicam. Qualitativamente, o negócio é extraordinário, a empresa está se espalhando de forma lucrativa e sustentável por uma série de mercados e eu vejo o Jeff Bezos como um dos donos do mundo. A Amazon está se tornando tão presente na vida de todas as pessoas que será impossível não gerar algum tipo de receita pra ela diariamente - a nao ser que você viva numa caverna. Eu quero ser sócio dos donos do mundo, como mencionei de forma semelhante em minha análise sobre Alphabet/Google, outra empresa com basicamente o mesmo estilo e o mesmo sucesso.


O Monge, em uma selfie (feita com IA) com Jeff Bezos, fundador da Amazon
O Monge, em uma selfie (feita com IA) com Jeff Bezos, fundador da Amazon

A Amazon enquanto empresa onipresente


Definição de onipresença

Uma empresa onipresente seria aquela cujos produtos, serviços ou infraestrutura são usados direta (ex.: compras no e-commerce, streaming) ou indiretamente (ex.: infraestrutura de nuvem, IA) por quase todos os humanos diariamente. Isso implica escala global, diversificação extrema e integração profunda na vida cotidiana.


Os diversos negócios da Amazon

A Amazon já está bem posicionada para alcançar um nível próximo de onipresença devido à sua escala, diversificação e inovação. Repare no nível de diversificação atingido e para onde está indo o dinheiro que ela ganha com os negócios já bem estabelecidos:

  • E-commerce (75% da receita): A Amazon é líder global no comércio eletrônico, com uma participação de mercado de ~38% nos EUA e presença crescente em mercados emergentes (ex.: Índia, América Latina). O programa Prime, com mais de 200 milhões de assinantes globais, cria lealdade e uso recorrente (compras, streaming, etc.). Aqui ela já vai se encaixando na minha estratégia se considerarmos o quanto eu favoreço negócios de assinatura. A logística (ex.: centros de distribuição, Amazon Air) permite entregas rápidas, tornando-a a escolha padrão para muitos consumidores, incluindo o autor. A empresa pode expandir ainda mais em regiões sub-penetradas, integrando serviços como Prime Now (entregas ultra-rápidas) - Brasil, por exemplo, que tem um baita mercado consumidor, ainda usa pouco o Prime fora dos filmes e séries. Agora imaginem a marca atacando mercados como Índia, Paquistão, Japão, África do Sul… ainda existe muito dinheiro para ser ganho!

  • AWS (15% da receita, maior margem de lucro): A Amazon Web Services é líder em computação em nuvem, com ~32% do mercado global (vs. Microsoft Azure com 20%). Ela sustenta a infraestrutura de inúmeras empresas, incluindo marcas conhecidas como Airbnb e demandas gigantescas como a da Netflix, além de governos e instituições que exigem o top em segurança cibernética. Quase todos os humanos interagem indiretamente com a AWS ao usar aplicativos, sites ou serviços que dependem de sua infraestrutura. A expansão da nuvem (ex.: data centers na África, Ásia) e a adoção de IA (ex.: SageMaker) reforçam essa tendência.

  • Publicidade (5-10% da receita): A Amazon é a terceira maior plataforma de publicidade digital (atrás de Google e Meta), com crescimento de ~20% ao ano. Seus anúncios estão integrados ao e-commerce, dispositivos (Fire TV, Alexa) e até parcerias externas. A publicidade atinge consumidores diretamente (ex.: anúncios na plataforma) e indiretamente (ex.: dados de consumo usados por anunciantes), ampliando sua presença na vida cotidiana. Os pacotes do Prime Vídeo com propaganda ampliam essa capacidade, combinando baixo custo para o usuário e alta renda para a empresa.

  • Dispositivos e IA (ex.: Alexa, Kindle): A Alexa está em mais de 100 milhões de dispositivos (alto-falantes Echo, TVs, carros). É uma interface de IA que facilita interações diárias como controle de casa inteligente e compras por voz. Ela ainda é “burra” pelo que me dizem amigos e conhecidos que a usam, mas isso está para mudar em breve: a Amazon está investindo pesadamente em IA generativa, competindo com Google e OpenAI. A IA da Amazon pode se tornar ubíqua em casas, escritórios e dispositivos conectados, especialmente se integrar mais serviços.

  • Novos setores (saúde, Whole Foods, entretenimento):

    • Saúde: A Amazon está expandindo na saúde com Amazon Pharmacy, One Medical (adquirida por US$ 3,9 bilhões) e iniciativas como Amazon Clinic. A saúde é um setor universal, e a Amazon pode integrar serviços médicos ao Prime. Ainda não vi essa parte da empresa decolar, mas também não os vi perderem dinheiro em nada do que se meteram.

    • Whole Foods: A aquisição da Whole Foods por US$ 13,7 bilhões deu à Amazon uma presença física no varejo de alimentos, um mercado diário e essencial. É uma rede apenas dos EUA, e de um nicho que compra os melhores ingredientes, que gosta de orgânicos… não vai ser um Walmart, mas aos poucos a sofisticação do mercado de alimentos pode dar chance de expansão ao Whole Foods. As lojas são lindas, a comida parece compor um mosaico nas prateleiras… Existe capricho em cada detalhe, e dificilmente esse padrão alto de trabalho deixa de conquistar mais clientes.

    • Entretenimento: Amazon Prime Video e Twitch atingem milhões de usuários, enquanto a aquisição da MGM (US$ 8,5 bilhões) fortalece seu catálogo de filmes. O Prime é um dos melhores canais de streaming do mundo e tem muito a crescer com a transmissão ao vivo de eventos esportivos (já estão passando jogos da Libertadores, Sul-Americana e Copa do Brasil).


Expansão global

A Amazon opera em mais de 20 países e está investindo em mercados emergentes (ex.: México, Brasil, Índia). Sua logística global e parcerias (ex.: entregas via drones, Rivian para veículos elétricos) podem torná-la indispensável em cadeias de suprimento, enquanto a expansão para regiões menos digitalizadas pode aumentar sua penetração global, especialmente se adaptar serviços a contextos locais.


Evidências de uso diário

  • Direto: Milhões já usam a Amazon diariamente para compras, streaming (Prime Video), leitura (Kindle), ou interação com Alexa.

  • Indireto: A AWS sustenta serviços essenciais (ex.: Netflix, Zoom, apps governamentais), tornando a Amazon parte da infraestrutura digital global.

  • Escala atual: A Amazon tem ~1,5 bilhão de visitas mensais ao seu site, 200 milhões de assinantes Prime e AWS suporta trilhões de transações anuais. Isso já a coloca próxima de ser onipresente em mercados desenvolvidos.


A Amazon tem, na minha opinião, todo o potencial de se tornar onipresente, especialmente por sua capacidade de integrar e-commerce, nuvem, IA, saúde e entretenimento em um ecossistema coeso. Seu alcance direto (consumidores) e indireto (infraestrutura) já a torna indispensável para milhões, e a expansão para setores essenciais como saúde e alimentos reforça essa trajetória. No entanto, alcançar “quase a totalidade dos humanos” enfrenta barreiras regulatórias, culturais e competitivas, que abordarei mais adiante.


A expansão para diferentes setores pode torná-la uma “Buy-n-Large”?

No desenho animado (que eu adoro!🥰) WALL-E, a Buy-n-Large é uma megacorporação que controla praticamente todos os aspectos da sociedade: varejo, alimentação, transporte, mídia, governo e até a colonização espacial. Ela é uma sátira do consumismo e da concentração corporativa, com uma presença tão dominante que molda a vida humana e o meio ambiente. A expansão da Amazon para diversos setores a aproxima da Buy-n-Large em alguns aspectos, a começar pela diversificação extrema. Como a Buy-n-Large, a Amazon está presente em varejo (e-commerce, Whole Foods), tecnologia (AWS, Alexa), saúde (Amazon Pharmacy, One Medical), entretenimento (Prime Video, Twitch) e até logística avançada (drones, Rivian). Sua entrada em saúde e alimentos a coloca em setores essenciais, semelhantes à onipresença da Buy-n-Large em bens de consumo.

A Amazon construiu para si um ecossistema integrado, vasto e atraente. É um “walled garden” onde os consumidores usam múltiplos serviços (ex.: comprar no e-commerce, assistir Prime Video, usar Alexa) dentro de uma única plataforma, semelhante à integração total da Buy-n-Large. Apple e Alphabet tentar fazer o mesmo, mas nenhuma das duas possui a plataforma de vendas online do tamanho da Amazon. Um cliente pode pedir remédios via Amazon Pharmacy, assistir a um filme no Prime Video e comprar mantimentos da Whole Foods usando Alexa, tudo no mesmo dia, sem sair do lugar.

Em termos de infra-estrutura global, a AWS é a espinha dorsal da internet moderna, assim como a Buy-n-Large controla infraestrutura essencial no filme (ex.: transporte, energia). A logística da Amazon (ex.: 400 mil motoristas, 40 mil vans elétricas da Rivian até 2030) espelha a capacidade da empresa do desenho de dominar a totalidade das cadeias de suprimento.

No futuro, projetos como Kuiper (internet via satélite para áreas remotas) e experimentos em IA generativa podem realizar ambições de longo alcance, semelhantes às aspirações da Buy-n-Large (colonização espacial). A Amazon já investe em tecnologias disruptivas (ex.: drones, robôs de entrega), que poderiam expandir sua influência para áreas como transporte e infraestrutura urbana.

É claro que na vida real as coisas são mais complexas. Apesar das semelhanças, há barreiras significativas para a Amazon se tornar uma Buy-n-Large e ser “a única empresa no mundo”. A empresa do Jeff Bezos enfrenta intenso escrutínio regulatório nos EUA (ex.: FTC, DOJ) e na UE por práticas monopolísticas. Leis antitruste podem limitar aquisições, forçar desmembramentos (ex.: separar AWS do e-commerce) ou impor multas. Isso já aconteceu com a Apple e está acontecendo com a Alphabet. A UE multou a Amazon em €746 milhões em 2021 por violação de privacidade, e novas investigações estão em curso. É algo que acontece com toda empresa monopolista.

Diferentemente da Buy-n-Large, que não tem rivais, a Amazon enfrenta concorrência feroz em todos os seus negócios. No e-commerce, aparecem na disputa Temu, Shein e Walmart. Nos serviços de nuvem, Microsoft Azure, Google Cloud. Na publicidade, Google e Meta. Na saúde, CVS e Walgreens, para citar alguns exemplos. Essa competição limita sua capacidade de dominar todos os setores. Além disso, em mercados como a China, a Amazon tem presença limitada devido à dominância de Alibaba e JD.com. Diferenças culturais e regulamentações locais (ex.: Índia exige parcerias com empresas locais) dificultam a penetração global total. Logo, não penso literalmente na Amazon como “A Dona do Mundo”, mas certamente ela é e será cada vez mais um dos principais players do planeta e, eventualmente, para além dele (afinal, o Jeff Bezos também é dono da Blue Origin, que desenvolve foguetes para uso comercial).


É uma empresa fantástica, mas se encaixa na minha estratégia?


Essa é sempre a pergunta mais importante. O negócio em que estou comprado vai me dar aquilo que eu desejo como retorno pelo dinheiro investido? Não basta ao investidor comprar uma boa empresa; tem de ser uma ação que vai encaixar naquilo que este investidor busca. Ao ler este artigo, pergunte-se: “ela serve pra mim?”. Se não servir, descarte, sem medo ou culpa. Eu não tenho todas as empresas sensacionais do mundo, e nem quero. Não se preocupe em tentar catar todas as borboletas que passam voando na sua frente. Pegue algumas, perfeitas, e descanse.

A minha estratégia, detalhada nos cursos que ministro, busca no meu atual estado de vida a renda passiva confiável e crescente, através empresas de alta qualidade e previsibilidade, com moat amplo, crescimento de fluxo de caixa livre por ação (FCF per share) ≥10%, dívida baixa e sob controle, e crescimento sustentável baseado em eficiência e lucro, em vez de aquisições ou apostas arriscadas. Dando uma repassada nos pontos principais, posso resumir a minha posição pessoal da seguinte forma:

  • Meu Perfil: Com 48 de idade (um guri!) e vivendo de rendimentos há dois anos, após um encerramento abrupto e involuntário da carreira de aviador, considero que a preservação de capital e a geração de renda passiva confiável sejam cruciais. Busco um equilíbrio entre crescimento patrimonial e da minha renda passiva, ambos acima da inflação (a real, do meu custo de vida, e não um índice qualquer como o IPCA).

  • Renda passiva: Uso proventos (dividendos, JCP) e vendas parciais de ativos para sustentar meu custo de vida. Isso implica que as empresas na minha carteira precisam oferecer previsibilidade financeira e/ou potencial de valorização para suportar vendas graduais.

  • Qualidade e previsibilidade: Meu foco em empresas com moat amplo, FCF per share crescente (≥10%/ano), dívida controlada e crescimento sustentável indica a compra de negócios resilientes, com vantagens competitivas duradouras e fundamentos sólidos. Quanto mais monopolistas, onipresentes e de alta fidelização dos clientes, melhor. Negócios tediosos, simples e lucrativos me interessam!

  • Horizonte de investimento: Pretendo viver bastante e deixar algo para a próxima geração dos Palazzo, logo meu modelo vai precisar funcionar por mais uns 50 anos. A necessidade de renda imediata não passa por cima do fato de que meu horizonte é distante e meu espaço para erro é quase zero, caso eu não queira me ver em apuros, velho demais para começar outra carreira com o mesmo nível de sucesso (e grana) que obtive na aviação. Por isso tenho um olho no agora e o outro nas décadas que virão.


Como Amazon (AMZN) se encaixa na minha estratégia de qualidade, crescimento e previsibilidade


Qualidade

  • Moat amplo: A Amazon possui um moat extremamente forte. Um moat, ou "fosso econômico", é uma vantagem competitiva sustentável que uma empresa possui sobre seus concorrentes, permitindo-lhe manter seu market share e lucratividade a longo prazo.

  • Economias de escala: no e-commerce (maior parte da receita), com uma rede logística global e eficiência operacional difícil de replicar.

  • Liderança em tecnologia: via AWS (maior margem de lucro), que domina o mercado de computação em nuvem.

  • Efeito de rede: no programa Prime, que aumenta a lealdade do cliente, e na publicidade digital, que cresce rapidamente.

  • Marca forte: A Amazon é uma das marcas mais valiosas globalmente, reforçando sua competitividade.


Dívida baixa e sob controle

  • A Amazon tem uma dívida líquida de US$ 65,76 bilhões, mas isso é gerenciável frente ao seu EBITDA de US$ 127,91 bilhões (relação dívida/EBITDA de ~0,51, considerada baixa).

  • A empresa tem um rating de crédito sólido (AA- pela S&P), indicando baixa probabilidade de problemas financeiros.


Crescimento

  • Free Cash Flow (FCF) per share: O FCF per share da Amazon cresceu a uma taxa anual composta (CAGR) de ~15% nos últimos 5 anos. No TTM (Trailing Twelve Months), o FCF foi de US$ 61,8 bilhões, ou cerca de US$ 5,93 por ação, refletindo forte geração de caixa. O crescimento é impulsionado pela eficiência operacional (ex.: otimização de logística, uso de robôs) e pela AWS, que tem margens operacionais superiores a 30%. Como diz Warren Buffett, é uma daquelas empreas que está “nadando em dinheiro”.

  • Crescimento sustentável: A Amazon demonstra uma “loucura” por cortes de custos e lucros crescentes, especialmente em AWS e publicidade. Embora a empresa faça aquisições, seu crescimento é majoritariamente orgânico, com investimentos em tecnologia e expansão de mercado. Isso se alinha com minha preferência por crescimento sustentável, que não dependente de apostas arriscadas. Analistas preveem crescimento de EPS de 15,5% ao ano nos próximos 3-5 anos, acima da média do mercado (14,7%).


Previsibilidade

Considero a Amazon como uma empresa extremamente previsível. Há décadas ela vem fazendo a mesma coisa com sucesso: investe (logo gasta caixa), inova (e cria soluções para problemas que a gente nem sabia que tinha), cresce (usa seu poder de fogo para entrar em mercados com baixo custo e margens apertadas), lucra (usa o “princing power” depois de ganhar o mercado), se entope de dinheiro e então repete o processo em outro setor. É um histórico consistente de crescimento de receita (CAGR de ~20% desde a IPO em 1997) e superação de estimativas de lucros (EPS superou expectativas em 8 dos últimos 10 trimestres). A diversificação entre e-commerce, AWS e publicidade reduz a dependência de um único segmento, aumentando a previsibilidade. A demanda por serviços de nuvem e e-commerce é estruturalmente forte, apoiada por tendências como digitalização e adoção de IA. A AMZN, portanto, será fundamental para o mundo e lucrativa aos seus acionistas por décadas adiante.

Reparem que na questão previsibilidade eu não falo de preço, valuation ou crises temporárias. Oscilações de preço são oportunidades de compra (e venda parcial, eventualmente), nada mais.


Alinhamento com renda passiva confiável e crescente

A Amazon não paga dividendos, o que é um obstáculo significativo para quem busca de renda passiva via proventos. Para gerar renda, dependo de vendas parciais das ações (regra dos 4%, já explicada em outros posts aqui do blog). A valorização histórica da Amazon (retorno anualizado de 24,29% em 10 anos) suporta essa ideia, mas a volatilidade do preço (beta de 1,15) pode dificultar a previsibilidade da renda via vendas, especialmente em mercados de baixa. Se eu precisar de caixa, até 4% de “trimagem” não chega a ser um pecado, mas estarei sempre atento aos melhores momentos para fazer isso.

Por outro lado, empresas como Microsoft (dividend yield de 0,8%, crescimento de dividendos de ~10% ao ano) ou Visa (dividend yield de 0,7%, crescimento de ~15% ao ano) me dizem que Amazon pode se juntar a esse grupo no futuro. Como dividend growth stock, a empresa do Bezos seria fantástica. É questão de deixar o negócio amadurecer, não ter mais novos setores inexplorados para expandir e então passar a fazer buybacks e distribuir dividendos como todo mundo.


Tamanho é documento

O fato de a Amazon ser a maior posição na carteira internacional, com cerca de 20%, torna o risco muito grande? Seria sensato comprar mais ou reduzir o peso dela?

Eu sei que estou exposto a um risco de concentração elevado, especialmente considerando minha dependência em renda passiva e vendas parciais para me sustentar. O beta da Amazon de 1,15 indica maior volatilidade que o mercado. Uma queda de 20-30% no preço (como ocorreu em 2022, quando caiu 49,62%) poderia reduzir significativamente o valor da minha carteira, me forçando a não vender na baixa. Eu compenso este risco com posições como prata (PSLV, anti-crise) e Altria (MO, alto DY) no exterior, e com investimentos em renda fixa no Brasil, estes últimos responsáveis pelas minhas obrigações e gastos fixos. Importante reforçar que a carteira pública de ações divulgada em nosso canal é um projeto para o futuro. Não é ela que paga as minhas contas hoje.

Para investidores vivendo de rendimentos, uma alocação de 5-10% por ação é comum para limitar riscos. Com 20%, um evento adverso na Amazon (ex.: resultados abaixo das expectativas, multas regulatórias) poderia comprometer minha renda. Mas entendo que estou concentrando fogo nas melhores empresas, e que diversificar demais é sacrificar qualidade. Por isso, diferente do comum na manada, eu aceito ter até 25% do portfólio na minha posição líder, desde que este seja o melhor papel da carteira. Se minha posição já não fosse tão grande, eu estaria comprando mais. A Amazon tem fundamentos sólidos e potencial de crescimento robusto (EPS projetado para crescer 15,5% ao ano). Sua liderança em e-commerce e AWS suporta valorização de longo prazo.


Quedas, vendas e resistências

As quedas recentes abaixo de US$200,00 em agosto/24 e abril/25 foram grandes oportuniaddes de entrada. Eu entrei pesado na primeira, quando montei a posição no papel com preço médio de $164.25. A venda de insiders (Jeff Bezos vendeu US$ 1,5 bilhão em ações) e a redução de posições por fundos de hedge sinalizam cautela no curto prazo para os assustados, mas qualquer queda no papel me levaria a aumentar meu otimismo como investidor - já bati no teto, não compro mais, mas acho que o leitor já entendeu o que digo.

Quedas mais recentes de Amazon e minha entrada no papel (linha verde horizontal)
Quedas mais recentes de Amazon e minha entrada no papel (linha verde horizontal)

A ação indicou sobrecompra no topo histórico, com indicadores como RSI e Estocástico Lento virando para baixo no gráfico mensal. Este quadro ainda gera dúvidas quanto ao preço no curto prazo e considero bem possível uma queda para $190.00 nos próximos 6 meses, para depois vencermos a máxima histórica. O rompimento do ATH (All-time High) seria excelente para reforçar o acerto das minhas decisões e é o que espero ver ainda em 2026. No gráfico mensal o que eu vejo de mais importante é uma resistência antiga em $175.00 tendo sido rompida e retestada duas vezes como suporte. Funcionou, o papel respirou e agora tem tudo pra continuar subindo no longo prazo, mesmo se tocar na LTA histórica que hoje reforça o suporte em $175.00.


Linha de Tendência histórica de alta, indicadores RSI e estocástico lento
Linha de Tendência histórica de alta, indicadores RSI e estocástico lento

Incertezas com tarifas globais (ex.: tarifa de 15% dos EUA sobre bens do Japão) e eventos como o FOMC e relatórios de empregos aumentaram a volatilidade do mercado. O preço de AMZN é sensível a esses fatores devido à sua exposição ao comércio internacional e seus múltiplos considerados altos. A divulgação de resultados no dia 31/7 poderá jogar o papel para baixo ou para cima. TUDO ISSO É RUÍDO. É O NEGÓCIO QUE INTERESSA AO INVESTIDOR. Os movimentos de humor geram as oportuniades técnicas de entrada e de saída, mas em nada mudam o que a empresa faz de bom ou de ruim.


Minha conclusão

Não há evidências de deterioração nos fundamentos desde que a empresa fez seu ATH em, $241.77, pelo contrário. A queda de 2025 parece ser mais uma reação técnica (consolidação após sobrecompra) e macroeconômica (incertezas de mercado) do que um reflexo de problemas estruturais. A Amazon continua a entregar crescimento robusto e eficiência, alinhada com a minha estratégia, e seguirá sendo a minha maior posição na carteira salvo alguma oportunidade muito melhor apareça. Se ela disparar acima de 25% da carteira, vou aproveitar para realizar lucros e buscar novas compras em outros papéis, mas sem perder a confiança na empresa que será uma das donas do mundo, junto comigo. 😁

O fato de possuir hoje 20% da carteira pública com este papel se explica por fatos simples: nenhuma outra ação que eu estudei possui a fortaleza de crescimento, método e sucesso da Amazon. É a melhor empresa dentro dos critérios que estabeleci, logo merece o destaque que recebeu no portfólio. O que Charlie Munger fez com CostCo, que na época era a melhor empresa do mundo, eu espero fazer com AMZN. 🙏


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