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💰 Estudo de ativos - Alphabet (GOOG)

É quase impossível você viver um dia sem usar um produto deles.


Por: Sensei Alexandre Palazzo

Publicação original: 29/05/2025


Resumo

  1. Motivos para Comprar e Aumentar Posição na Alphabet: Em outubro de 2024, comprei ações da Alphabet (ticker GOOG) por cerca de US$ 170, pela qualidade da empresa e por suas perspectivas de crescimento. De lá pra cá o mercado sofreu por temores exagerados sobre IA e regulamentações, trazendo o papel de volta ao meu preço de compra. A diversificação (Search, YouTube, Cloud, Waymo) e a liderança em IA (Gemini, AI Overviews) me convenceram de que a empresa está subvalorizada, que vai atropelar estas ameaças e reforça minha decisão de aumentar a minha posição.

  2. Riscos: Existem riscos regulatórios (processo antitruste nos EUA e DMA na Europa), competição em IA (OpenAI, Anthropic), e desafios no Google Cloud (AWS, Azure) e YouTube (TikTok, Instagram). O mercado precifica parcialmente esses riscos, mas a diversificação da Alphabet e sua solidez financeira mitigam impactos severos.

  3. Concorrência e Liderança: A Alphabet mantém liderança no Search e YouTube, enquanto o Google Cloud cresce 28% ao ano. Apesar da concorrência, vejo a empresa consolidando sua posição nos principais segmentos, com barreiras como escala de dados e investimentos em IA.

  4. Onipresença na Vida Cotidiana: A Alphabet está profundamente integrada na rotina diária, com interações frequentes (10-20 vezes por dia) via Search, YouTube, Maps, Gmail e Android. Como a Amazon, ela gera receita quase imperceptível aos usuários, o que reforça sua resiliência e garante fluxos de caixa recorrentes.

  5. Sinais de Alerta e Linhas de Corte: Monitoro quedas no market share do Search, crescimento publicitário abaixo de 5%, margens operacionais abaixo de 10%, ou ainda estagnação no Google Cloud e na IA. Esses cenários estão distantes, dado o crescimento atual e projeções (CAGR de 10-12% até 2027), então mantenho a Alphabet como peça importante da minha carteira de aposentadoria com ativos no exterior.



“O Monge quer ser sócio dos donos do mundo” (Imagem de IA do Grok)
“O Monge quer ser sócio dos donos do mundo” (Imagem de IA do Grok)

Por que Google?

Como alguém que vive dos ganhos de sua carteira de investimentos, com foco em renda passiva e empresas de altíssima qualidade, procuro comprar ações de líderes globais com forte “pricing power”, fluxos de caixa crescentes, dividendos também crescentes e/ou programas robustos de recompra de ações, dívida controlada e produtos essenciais de consumo recorrente. Uma empresa que atende a todos estes quesitos é a Alphabet (GOOG), que por isso sempre esteve no meu radar. Em outubro de 2024, quando as ações caíram para valores abaixo de US$ 170, fiz o meu primeiro aporte. Agora, em maio de 2025, com a ação ainda negociada a múltiplos atrativos e com fundamentos ainda mais sólidos, estou reforçando minha posição. Abaixo, compartilho os motivos que embasaram minha decisão inicial e justificam meu otimismo atual, com base na minha experiência e visão sobre o negócio.


Principais Fundamentos de GOOG (Fonte: Tradingview)
Principais Fundamentos de GOOG (Fonte: Tradingview)

1. Serenidade e Oportunismo Diante do Pânico

Em outubro de 2024, as ações da Alphabet sofreram uma correção significativa, de cerca de 20% em poucos dias, algo incomum para o papel. O mercado parecia preocupado com dois fatores principais: o risco de regulamentações antitruste nos EUA e a percepção de que a inteligência artificial (IA) poderia ameaçar o domínio do Google Search. Como investidor de longo prazo, me afastei das manchetes e fui olhar os fundamentos. Minha análise indicava que essas incertezas eram exageradas e que a Alphabet estava sendo negociada a preços subvalorizados, com um P/E (preço/lucro) próximo de 19,4 vezes os lucros projetados para 2025, bem abaixo de outras gigantes de tecnologia como Nvidia ou Microsoft.

Minha confiança vinha da impressão (agora constatação) de que a Alphabet não apenas está preparada para enfrentar os desafios da IA, mas também se beneficia dela. O lançamento do Gemini 2.5 Pro, que superou o GPT-4 em benchmarks, e sua integração em produtos como Google Search, YouTube e Google Cloud demonstram que a empresa está na vanguarda da inovação em IA. A funcionalidade AI Overviews, com 1,5 bilhão de usuários ativos mensais, reforça a relevância contínua do Google Search, mesmo em um cenário de competição com modelos de linguagem de grande escala (LLMs). Enquanto o mercado vendia ações por medo, eu via uma oportunidade de comprar uma empresa líder a um preço descontado, com fundamentos sólidos e um futuro promissor.


Registro da primeira entrada e de pontos de compra irresistíveis (Fonte: Tradingview)
Registro da primeira entrada e de pontos de compra irresistíveis (Fonte: Tradingview)

2. A Força da Diversificação: Múltiplas Fontes de Renda Protegem a Alphabet

Uma vantagem que o investidor tem ao comprar uma holding é ser sócio de uma empresa com fluxos de receita diversificados, capazes de resistir a choques setoriais ou regulatórios. A Alphabet é um exemplo perfeito disso. Embora o Google Search continue sendo a principal fonte de receita, representando cerca de 56% do faturamento total, a empresa não depende exclusivamente dele. Abaixo, destaco as principais fontes de receita da Alphabet, que reforçam minha confiança na resiliência do negócio:

  • Publicidade no Google Search e Outras Plataformas: A publicidade digital, que gerou US$ 65,854 bilhões no 3T24 (+10,4% ano a ano), é o coração do modelo de negócios da Alphabet. Além do Search, plataformas como Gmail, Google Maps e Google Play contribuem para essa receita, aproveitando a liderança global da empresa em buscas (87-90% de market share de acordo com o conteito de “busca” do mercado).

  • YouTube: A plataforma de vídeos gerou US$ 8,921 bilhões em publicidade no 3T24 (+12,2%) e ultrapassou US$ 50 bilhões em receita anual combinada de anúncios e assinaturas, como YouTube Premium e YouTube Music. O modelo de assinatura mensal do YouTube se alinha perfeitamente com minha preferência por produtos de consumo recorrente, garantindo fluxos de caixa previsíveis.

  • Google Cloud: O segmento de computação em nuvem é uma das áreas de maior crescimento, com receita de US$ 12,3 bilhões no 3T24 (+28%) e uma margem operacional de 17,1%, quase dez vezes maior que no 3T23. A Google Cloud Platform (GCP) e o Google Workspace estão ganhando tração entre empresas, impulsionados pela demanda por soluções de IA e análise de dados.

  • Outras Apostas (Other Bets): A Alphabet diversifica ainda mais com investimentos em áreas como Waymo (veículos autônomos), que já realiza mais de 1 milhão de viagens pagas por mês e está expandindo para 16 cidades, e Verily (biotecnologia). A aquisição da Wiz por US$ 32 bilhões em 2025 fortalece a posição da Alphabet em cibersegurança, um setor em crescimento exponencial.

Essa diversificação reduz significativamente o risco de um bloqueio regulatório focado no Google Search. Mesmo que o governo dos EUA imponha restrições, como as discutidas no processo antitruste com decisão prevista para o segundo semestre de 2025, a Alphabet tem outras fontes de receita robustas para sustentar seu crescimento. Minha tranquilidade vem da certeza de que a empresa está bem posicionada para navegar qualquer cenário regulatório.


Fontes de receita do Google em crescente diversificação (Fonte: Tradingview)
Fontes de receita do Google em crescente diversificação (Fonte: Tradingview)

3. Fluxos de Caixa, Dividendos e Programa de Recompra de Ações

Como alguém focado em renda passiva, valorizo empresas com forte geração de caixa e políticas de retorno ao acionista. A Alphabet entregou US$ 19 bilhões em fluxo de caixa livre no 3T24 e mantém um programa de recompra de ações de US$ 70 bilhões, o que reduz o número de ações em circulação e aumenta o valor por ação no longo prazo. Além disso, a empresa anunciou seu primeiro dividendo em 2024, de US$ 0,20 por ação, com um dividend yield de cerca de 0,47%. Embora o yield seja modesto, ele sinaliza confiança da gestão na sustentabilidade dos lucros, o que é um bônus para minha estratégia, que inclui ganhos de capital mas que se concentra em proventos como um “salário” diversificado, crescente e seguro.

A Alphabet também mantém uma dívida líquida praticamente inexistente e um balanço patrimonial sólido. Esse perfil financeiro me dá segurança de que a empresa pode continuar investindo em inovação (o que custa muito caro) sem comprometer sua saúde financeira.


Receita e lucros crescentes (Fonte: Tradingview)
Receita e lucros crescentes (Fonte: Tradingview)

4. Liderança em IA e Inovação Contínua

Minha crença de que a IA não é uma ameaça, mas sim uma vantagem para a Alphabet, foi um dos principais motivos para minha compra em outubro de 2024. Na época o CEO Sundar Pichai comentou em um relatório que 25% do “coding”, a escrita da programação de seus próprios softwares, estava sendo realizado por IA, aumentando muito a produtividade dos programadores humanos. O mercado parecia temer que LLMs concorrentes, como o ChatGPT, poderiam erodir a dominância do Google Search. No entanto, a Alphabet respondeu com o Gemini e com inovações como o “Modo IA” no Google Search, agora disponível para todos os usuários nos EUA. Essas atualizações reforçam a relevância do Search e atraem mais usuários, enquanto a integração de IA em produtos como Google Workspace e YouTube melhora a experiência do cliente e aumenta a monetização.

Além disso, a Alphabet está investindo pesadamente em áreas de ponta, como computação quântica (com o chip Willow) e veículos autônomos (Waymo), que têm o potencial de criar novos mercados bilionários. Avalio essas iniciativas como potenciais prêmios escondidos do preço da ação, com alto potencial de retorno e risco limitado, dado o tamanho e a estabilidade do negócio principal.


Veículo da Waymo em operação em São Francisco (EUA)
Veículo da Waymo em operação em São Francisco (EUA)

5. Ações Subvalorizadas: Uma Oportunidade em 2025/2026

Acredito que a Alphabet ainda está subvalorizada. Com um P/E de 19,4 vezes os lucros projetados para 2025 e uma margem operacional de 32% (US$ 112,4 bilhões de EBIT em 2024), a empresa é negociada a múltiplos mais baixos do que concorrentes como Apple e Microsoft. Relatórios de fundos de hedge, como os da Aristotle e Loomis Sayles, reforçam meu otimismo, destacando o potencial de crescimento do Google Cloud, as assinaturas do YouTube e a monetização de IA como catalisadores. A aquisição da Wiz por US$ 32 bilhões também fortalece a posição da Alphabet em cibersegurança, um setor crítico em um mundo cada vez mais digital. O que não quer dizer que ela não possa ficar ainda mais barata, por humor generalizado do mercado diante de outros problemas que enfrentamos (ver meus artigos anteriores sobre crise nos EUA e bear market global). Tanto que coloquei mais duas “ordens de compra” no meu gráfico de preços, para o caso de GOOG ir buscar tecnicamente a sua linha de tendência de alta histórica, uma coisa que acontece quando o preço começa a andar por baixo da média móvel de 200 dias.


Zoom in no gráfico de candles mensais de GOOG (Fonte: Tradingview)
Zoom in no gráfico de candles mensais de GOOG (Fonte: Tradingview)

Por que Agora?

Após atualizações em IA e com o mercado ainda digerindo os riscos regulatórios, vejo uma janela de oportunidade ainda aberta para aumentar minha posição. A empresa continua a entregar resultados acima das expectativas, com receita de US$ 88,268 bilhões no 3T24 (+15,1%) e lucro líquido de US$ 26,301 bilhões (+36,8%). O crescimento do Google Cloud, a resiliência do YouTube e a liderança em IA me convencem de que a Alphabet está bem posicionada para continuar superando o S&P 500, como já fez historicamente.

Minha estratégia de renda passiva se beneficia da combinação de valorização do capital, dividendos iniciais e seu crescimento, além de recompras de ações, enquanto a diversificação do negócio e a solidez financeira da Alphabet garantem estabilidade em cenários adversos. A previsibilidade que eu busco nas ações que compro diz mais respeito aos negócios do que ao ambiente. Eles tem de ser tão previsíveis na sua competência e resiliência que os fatores macro-econômicos e as notícias não importem (confesso que meu lado trader se arrepia quando digo isso 😁).


Diversificação geográfica da receita da Alphabet (Fonte: Tradingview)
Diversificação geográfica da receita da Alphabet (Fonte: Tradingview)


Riscos, Concorrência e a Onipresença na Vida Cotidiana

Para avaliarmos o bear case – o cenário pessimista – de forma completa, é crucial considerar não apenas os riscos e a concorrência, mas também a integração profunda dos serviços da Alphabet na vida cotidiana. Como investidor, percebo que a Alphabet, assim como a Amazon, tornou-se quase onipresente, gerando receita de maneira imperceptível para o usuário comum. Abaixo, comento como vejo os perigos para a Alphabet, detalhando os riscos, a concorrência, os sinais de alerta que me fariam reconsiderar minha posição e, especialmente, a frequência com que uma pessoa comum interage com os serviços da Alphabet, reforçando a resiliência do negócio e reduzindo a importância dessas ameaças e me colocando em atitude compradora (bullish).


1. Principais Riscos para a Alphabet

Como delineei anteriormente, os riscos para a Alphabet incluem:

  • Riscos Regulatórios e Antitruste: O processo do Departamento de Justiça dos EUA (DOJ) contra práticas monopolísticas no mercado de buscas e publicidade digital, com decisão prevista para o segundo semestre de 2025, é uma ameaça que considero pequena dada a fraqueza da tese. Chamam o Search de “monopólio” justamente quando justamente o mercado vê o Google perdendo clientes para as LLMs. Sanções como a separação de ativos (Chrome, Android) vão impactar a receita caso confirmadas, mas as restrições a acordos de distribuição como o contrato com a Apple, em que o Google Search é a ferramenta padrão de busca, não vai fazer nem cócegas no market share - as pessoas que precisarem selecionar seu motor de buscas num celular novo vão continuar escolhendo o melhor: Google. Na Europa, a Lei dos Mercados Digitais (DMA) aumenta custos de conformidade e a chance de vermos a empresa penalizada é mais alta apesar da fraqueza lógica das teses socialistas do Velho Mundo.

  • Ameaças da Inteligência Artificial (IA): Concorrentes como OpenAI (ChatGPT) ou Anthropic (Claude) poderiam desenvolver soluções de busca baseadas em IA que desviem tráfego do Google Search, embora o Gemini e os AI Overviews mostrem que a Alphabet está respondendo bem. E quem avalia que toda busca será feita em uma LLM se esquece que muitas vezes queremos uma resposta rápida, curta e direta, sem a necessidade de contexto. Coisas como “onde ver o jogo do time X na TV” ou “qual a cotação do dólar hoje” ficam chatas de perguntar aos LLMs que querem te dar sempre uma resposta muito completa e rebuscada. O Google Search vai direto ao ponto.

  • Concorrência em Negócios de Crescimento: O Google Cloud enfrenta a Amazon Web Services (AWS) e a Microsoft Azure, enquanto o YouTube compete com TikTok e Instagram Reels por atenção e dólares de publicidade. Mas estes são mercados que podem ser divididos entre 3, 4 empresas e todas elas prosperarem. Vejamos os ramos de cartões de crédito, de exploração de petróleo e os conglomerados automobilísticos como exemplos. Mastercard não precisa brigar com a Visa ou tentar tira-la do mercado. Há riqueza suficiente para as duas, enquanto a AmEx corre por fora mas está bem feliz com a sua fatia. O mesmo vale para a “nuvem”.

  • Desaceleração na Publicidade: Como 75% da receita vem de anúncios (US$ 65,854 bilhões no 3T24), uma recessão global ou o aumento de bloqueadores de anúncios poderia limitar o seu crescimento. Quanto mais a Alphabet tiver outras fontes de receita e estas forem menos cíclicas, mais segura será a operação e mais tranquilo o sono do investidor - por isso eu vejo aumento, e não redução na previsibilidade de desempenho da GOOG.


2. Quanto Esses Riscos Estão Precificados?

Com um P/E de 19,4 vezes os lucros projetados para 2025, a Alphabet é negociada abaixo da média do setor de tecnologia (cerca de 25 vezes). Isso sugere que o mercado precifica os riscos regulatórios e competitivos, especialmente após a queda das ações para menos de US$ 150 ainda este ano. Minha percepção é que o risco antitruste é o mais refletido no preço, com o mercado esperando multas ou ajustes, mas não uma ruptura drástica. Uma crise econômica gravíssima nunca estará antecipadamente nos preços, pois apenas as seitas radicais cometem suicídio antes do mundo efetivamente acabar. Vender Google abaixo de 150 dólares é um “investocídio”!


3. Concorrência por Segmento e Capacidade de Liderança

A Alphabet enfrenta concorrência em todos os seus segmentos, mas sua escala e integração de serviços garantem resiliência. Vejamos:

  • Google Search (Publicidade Digital):

    • Concorrentes: Bing (da Microsoft, 3-5% do mercado), Perplexity, SearchGPT (OpenAI) e Amazon (anúncios de e-commerce).

    • Capacidade de Liderança: Com 87-90% do mercado global de buscas, integrado ao Android (2,5 bilhões de dispositivos) e parcerias como com a Apple, o Google Search é quase inabalável no curto prazo. A IA (Gemini, AI Overviews) mantém a relevância, e vejo a Alphabet como líder por pelo menos 5-10 anos, salvo uma disrupção radical.

  • YouTube:

    • Concorrentes: TikTok (ByteDance) e Instagram Reels (Meta) disputam a atenção, enquanto Netflix e Disney+ competem por streaming pago.

    • Capacidade de Liderança: Com 2,7 bilhões de usuários mensais e receita diversificada (anúncios, YouTube Premium), o YouTube é líder. A concorrência com TikTok é real na Geração Z (conhecida no Rio Grande como “gurizada” 😜), mas a personalização via IA e a escala global garantem relevância contínua. Como pai de um piá de 11 anos eu ainda rezo pelo banimento do Tik Tok no mundo, dado o poder de emburrecimento dos usuários, mas sei que este é um sonho distante e teremos de resolver este problema internamente.

  • Google Cloud:

    • Concorrentes: AWS (31% do mercado) e Azure (20%) lideram, com o Google Cloud em terceiro (12%).

    • Capacidade de Liderança: O crescimento de 28% no 3T24 e a aquisição da Wiz por US$ 32 bilhões fortalecem a posição em IA e cibersegurança. Não superará AWS ou Azure no curto prazo, mas consolidará um lugar entre os três líderes. É suficiente para garantir forte incremento de receitas, pois este setor é um aspirador de dinheiro.

  • Outras Apostas (Waymo, Verily):

    • Concorrentes: Waymo enfrenta Cruise (GM) e Tesla; Verily compete com Tempus e Illumina.

    • Capacidade de Liderança: A Waymo lidera em viagens autônomas (1 milhão/mês), e a Verily tem potencial em saúde. Esses negócios são pequenos, mas reforçam o valor futuro. Até agora os carros da Waymo já foram filmados fazendo algumas bobagens, trancando o trânsito, mas nenhum acidente ou incidente grave ocorreu em meses de uso. Essa segurança, a meu ver, vai dar à Waymo a mesma vantagem competitiva do Youtube e do Search. É muito melhor que os outros, logo mais gente vai usar.


4. O matador do Bear Case: A Onipresença da Alphabet na Vida Cotidiana

Um dos motivos pelos quais mantenho a Alphabet na minha carteira é sua integração profunda na rotina diária das pessoas, de modo semelhante à Amazon. Uma pessoa comum interage com os serviços da Alphabet várias vezes ao dia, muitas vezes sem perceber que está gerando receita para a empresa. Essa onipresença é um diferencial que reduz o impacto de riscos regulatórios ou competitivos. Convido o leitor a considerar estes números:

  • Google Search: O terráqueo médio (ou seja, a média que inclui o refugiado no Sudão e o executivo em Shenzen) realiza 3-4 buscas diárias no Google pelo celular, desktop ou por voz (Google Assistant). Cada busca exibe anúncios, gerando receita (US$ 49,385 bilhões no 3T24). Mesmo buscas sem cliques em anúncios reforçam a coleta de dados, que alimenta o algoritmo de publicidade.

  • YouTube: Globalmente, as pessoas passam em média 1 hora por dia no YouTube, assistindo vídeos, Shorts ou ouvindo música via YouTube Music. De novo, estamos considerando o mundo todo, incluindo a parte que não tem internet. Anúncios in-stream ou assinaturas do YouTube Premium (US$ 50 bilhões em receita anual combinada) monetizam essas interações.

  • Android e Google Play: Com 2,5 bilhões de dispositivos Android ativos, a maioria das pessoas usa smartphones com o sistema operacional da Alphabet. Cada download de aplicativo na Google Play ou compra in-app gera uma comissão de 15-30%. Mesmo usuários de iPhone interagem com apps do Google, como Maps ou Gmail.

  • Google Maps: Milhões usam o Maps diariamente para navegação, busca de restaurantes ou serviços locais. Eu sou um deles, inclusive, ainda mais depois que o FourSquare deixou de funcionar. Anúncios de empresas locais e dados de localização geram receita indireta.

  • Gmail e Google Workspace: Com 1,8 bilhão de contas Gmail ativas, muitas pessoas checam e-mails várias vezes ao dia. Usuários corporativos do Workspace (Docs, Sheets) geram receita por assinatura, enquanto o Gmail gratuito exibe anúncios. O Monge Investidor é cliente do Google e tudo o que fazemos online passa pela assinatura deles.

  • Google Assistant e Dispositivos Nest: Comandos de voz em smartphones ou dispositivos domésticos (como Nest Hub) integram a Alphabet na rotina, coletando dados para publicidade direcionada.

  • Google Chrome: Com 65% do mercado de navegadores, o Chrome é usado por bilhões, direcionando tráfego para o Google Search e coletando dados de navegação. Confesso que nesse caso eu prefiro o Safari, mas nesse ponto a minha opinião pouco importa!


Essa frequência de contato – estimo que uma pessoa comum interaja com serviços da Alphabet pelo menos 10-20 vezes por dia – é comparável à da Amazon. A Amazon está presente em compras online (marketplace), streaming (Prime Video), assistentes de voz (Alexa), e serviços de nuvem (AWS para empresas). Ambas as empresas se beneficiam de um “efeito rede” e da coleta massiva de dados, criando barreiras para concorrentes. Dificilmente passamos um dia sem usar o Google Search, YouTube ou Maps, assim como raramente passo um dia sem interagir com a Amazon via compras ou streaming. Essa onipresença garante fluxos de receita recorrentes, mesmo em cenários de crise.

Falei da Amazon aqui por ela ser a minha maior posição na carteira de aposentadoria no exterior. O que aproxima as duas empresas em termos de qualidades me faz pensar que devo ter mais ações da GOOG, já que aproximar-me do valor investido em AMZN faria todo o sentido.

Tanto a Alphabet quanto a Amazon se infiltraram na vida cotidiana a ponto de gerarem receita quase inconscientemente. A Amazon monetiza compras (48% do e-commerce nos EUA), assinaturas (Amazon Prime, US$ 25 bilhões/ano) e nuvem (AWS, 31% do mercado). A Alphabet domina buscas (87-90% do mercado), vídeos (YouTube) e sistemas operacionais móveis (Android). A principal diferença é que a Alphabet depende mais de publicidade (75% da receita) do que a Amazon (40% de varejo, 15% de AWS). Isso torna a Alphabet mais vulnerável a ciclos econômicos, mas sua diversificação crescente mitiga também esse risco.

A Amazon enfrenta riscos regulatórios semelhantes (antitruste no e-commerce) e concorrência em nuvem, mas sua integração no varejo físico (Whole Foods, Amazon Go) é um escape dos riscos. Ambas são “infraestruturas” essenciais da vida moderna, o que reforça minha confiança nessas empresas.


Um indiano usa o Google Maps para guiar sua caminhada.
Um indiano usa o Google Maps para guiar sua caminhada.

5. Parâmetros para Identificar uma Queda Verdadeira na Qualidade

Todos os investimentos, quando feitos, precisam passar por um grande filtro de entrada, mas também devem ter um monitoramento continuado e parâmetros pré-estabelecidos de saída. Estas contas e considerações precisam ser feitas de cabeça fria, sem dinheiro comprometido, ANTES de tomar posição. Para sair da Alphabet, eu monitoraria os seguintes sinais de deterioração nos fundamentos, que indicariam uma perda de qualidade ou competitividade:

  • Queda no Market Share do Search: Uma redução para menos de 80% globalmente, indicando perda para LLMs concorrentes. Atualmente, o share é estável em 87-90%.

  • Crescimento Publicitário Fraco: Receita publicitária crescendo menos de 5% ao ano por dois anos consecutivos. No 3T24, o crescimento foi de 10,4%, com projeções de 8-10% até 2027.

  • Margens Operacionais em Declínio: Margem operacional caindo abaixo de 10% sem justificativa (atualmente 32%). A tendência é de estabilidade ou leve alta, podendo ser afetada pelo Capex gigante das empresas de tecnologia na corrida pela IA generativa. Mas aí, não saio - esse investimento pesado faz parte do negócio de quem inova, e dá frutos ali na frente.

  • Estagnação no Google Cloud: Crescimento da receita do Cloud abaixo de 20% ou perda de market share. No 3T24, o crescimento foi de 28%, com margem de 17,1%.

  • Impacto Regulatório Drástico: Separação de ativos cruciais (Android, Chrome) ou proibição de acordos de distribuição, reduzindo a receita em mais de 15%. Analistas estimam um impacto de 10-15% no pior cenário. Mas eu deixaria correr um tempo depois das medidas, deixando passar o pânico do mercado e vendo como a Alphabet vai reagir a tais danos. A gestão certamente já tem um plano B.

  • Deterioração Financeira: Fluxo de caixa livre abaixo de US$ 10 bilhões por trimestre (atualmente US$ 19 bilhões) ou aumento significativo da dívida líquida (quase inexistente).


Tenha sempre uma linha de stop/saída para não cair no buraco.
Tenha sempre uma linha de stop/saída para não cair no buraco.

6. Quão Longe Estamos de uma Deterioração Real?

Os números atuais mostram que a Alphabet está distante desses cenários. A receita cresceu 15,1% no 3T24, o lucro líquido subiu 36,8%, e balanceamento patrimonial é sólido (US$ 345,27 bilhões). O Google Cloud avança (28% de crescimento), e o YouTube mantém força (12,2% de crescimento). A liderança em IA (Gemini) e a diversificação (Cloud, Waymo) protegem contra riscos regulatórios. Projeções indicam um CAGR de 10-12% na receita até 2027, com lucro por ação de US$ 9,20 em 2025. Observe a parte de baixo à esquerda nesse gráfico, onde está escrito “growth and profitability”. 👇


Receita, margem e lucro crescendo, P/E caindo (Fonte: Tradingview)
Receita, margem e lucro crescendo, P/E caindo (Fonte: Tradingview)



Conclusão

Quando fiz a primeira compra de GOOG, a empresa se encaixava na minha estratégia por cumprir quase todos os requisitos que eu havia desenhado antes de olhar para qualquer empresa ou mercado. De forma bem resumida, eu quero ser sócio dos donos do mundo; das empresas líderes (ou que ainda serão líderes), com capacidade de repassar a inflação, espaço para crescer, que tenham gestão exemplar e que paguem crescentes dividendos de forma cada vez mais segura (Dividend CAGR grande, mas sempre menor que o crescimento anual do FCF per share). De lá pra cá o papel andou para todos os lados e esteve ainda mais barato do que hoje, mas eu tinha outras coisas boas pra comprar. Agora que a ação passa de novo pelo meu preço de compra mas com fundamentos ainda melhores que há 8 meses, com menor incerteza sobre o futuro dos negócios, eu vejo razões pra aumentar posição sem pagar mais caro por isso. E é o que farei na virada do mês, aproveitando minhas corretagens gratuitas mensais já que prezo por cada dólar conquistado.


 

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