♟️A fórmula dos 4% para os aposentados
- Alexandre Palazzo
- 27 de fev. de 2025
- 11 min de leitura
Atualizado: 17 de mar. de 2025
Investir em ações de crescimento e vender parte do seu patrimônio a cada ano funciona melhor do que viver de dividendos?
Resumo:
A regra dos 4% é uma forma fácil e prática de, uma vez aposentado, fazer uso dos recursos acumulados sem que falte dinheiro no final da vida.
Existem vantagens e desvantagens importantes que o investidor precisa considerar ao decidir investir. É preciso avaliar cada uma com calma e entender como você reagiria caso uma perda significativa acontecesse depois de você já estar fora do mercado de trabalho.
Simulamos duas situações de aposentadoria para testar a regra dos 4% contra uma pessoa que apenas saca os dividendos. Na primeira, ambos tinham um ETF do SP500. Na outra, cada um escolheu um ETF voltado ao seu modelo. Os resultados são muito interessantes!
Quem aposenta mais cedo corre mais riscos de tombo com os 4%, mas esse valor pode até ser aumentado quando a expectativa de vida remanescente do aposentado é pequena.
Os métodos são excludentes. As ações com maior potencial de crescimento pagam pouco ou nenhum dividendo. Escolha com sabedoria.
Por Alexandre Palazzo, em 27/02/2025
Conhecendo a origem e a lógica por trás da regra dos 4%
A “Regra dos 4%” é um método amplamente usado para estimar um saque sustentável durante a aposentadoria. Ela sugere que um aposentado pode sacar 4% do valor total da sua carteira no primeiro ano da aposentadoria e, nos anos seguintes, ajustar esse valor pela inflação, sem um grande risco de esgotar seus recursos ao longo de aproximadamente 30 anos.
Essa regra vem do estudo de William Bengen, um planejador financeiro que, em 1994, analisou dados históricos do mercado americano desde 1926. Ele testou diferentes taxas de saque em portfólios compostos por 50% ações e 50% títulos públicos e concluiu que 4% era um valor seguro para não acabar com o dinheiro em 30 anos, mesmo considerando crises como a Grande Depressão (1929).
O estudo foi refinado pelo Trinity Study, que reforçou a ideia de que “um portfólio com pelo menos 50% em ações e 50% em títulos teria uma alta probabilidade de sobreviver ao longo de 30 anos, mesmo com retiradas anuais ajustadas pela inflação”.
Como a carteira voltada ao crescimento costuma ser composta apenas por ações que não pagam dividendos significativos, a regra dos 4% implica na venda periódica de ativos para gerar renda. Nesse caso, o aposentado precisaria:
Vender uma parte do portfólio anualmente para obter os 4% necessários.
Escolher quais ativos vender, priorizando aqueles que tiveram maior valorização para otimizar ganhos de capital.
Atenção ao timing do mercado, pois retirar dinheiro em períodos de baixa pode acelerar a queda do patrimônio.
O risco maior aqui é a volatilidade: se uma crise forte ocorrer no início da aposentadoria (como 2008 ou 2020), a venda de ações em queda pode reduzir a longevidade do portfólio mais rápido do que o esperado.

Ainda funciona?
Há um debate sobre a eficácia da regra dos 4% nos dias atuais. Alguns fatores a considerar:
Mercado mais volátil – Algumas pesquisas indicam que um portfólio com mais ações pode permitir saques um pouco maiores, mas exige tolerância ao risco.
Juros historicamente baixos – Como a regra foi baseada em um portfólio 50% em títulos públicos, a queda nos juros pode reduzir a eficácia do modelo original. Alguns especialistas sugerem sacar apenas 3,5% ao ano para maior segurança. Mas pode ser que tenhamos também novas décadas de juros mais perto da normalidade e não tão baixos como vimos na última década.
Variação de retornos – Se o aposentado enfrenta uma crise forte logo no início da aposentadoria, pode precisar reduzir os saques temporariamente para preservar o portfólio. Táticas como as “tolerance bands”, onde se reduz o saque em anos ruins e se aumenta em anos bons, podem ajudar.
Aposentadorias mais longas – Para períodos de mais de 30 anos (aposentadoria cedo ou expectativa de vida longa), uma taxa de saque mais conservadora pode ser necessária.
Portanto, a regra dos 4% ainda é um bom ponto de partida, mas não deve ser encarada de forma muito rígida. Para um portfolio feito apenas de ações sem dividendos, é essencial monitorar o mercado e ajustar os saques conforme necessário.
Vantagens do método
Operar vendendo ativos ao invés de depender apenas de dividendos pode oferecer diversas vantagens estratégicas para aposentados ou investidores que buscam um fluxo de renda sustentável. Aqui estão os principais benefícios desse modelo:
Maior Flexibilidade na Composição da Carteira
Ao não se limitar a ações pagadoras de dividendos, o investidor pode escolher ativos com maior potencial de crescimento.
Algumas das empresas mais bem-sucedidas do mundo, como Fair Isaac Corporation, Amazon e Berkshire Hathaway, não pagam dividendos, mas oferecem valorização de longo prazo.
Permite diversificação em ativos que podem ter menor volatilidade ou melhor desempenho em certos cenários de mercado.
Maior Eficiência Tributária
No Brasil, em todas as medidas apresentadas ao mercado como parte de uma reforma fiscal, tanto Guedes quanto Haddad falaram em acabar com a isenção de impostos no recebimento de dividendos. Mas nunca foi mencionada a isenção para vendas. Hoje, ações vendidas em volume abaixo de R$20.000 por mês são isentas de Imposto de Renda, enquanto dividendos devem ser taxados no futuro.
Nos EUA, a tributação sobre ganho de capital pode ser menor do que a tributação de dividendos qualificados. Mas se você investe lá e mora nos Brasil, todos os dividendos serão taxados, enquanto a isenção para vendas sobe a 35 mil reais mensais.
Controle sobre o Momento da Geração de Caixa
Dividendos são pagos em datas definidas pelas empresas, sem controle do investidor. Já a venda de ativos pode ser feita de acordo com a necessidade pessoal ou condições de mercado.
Em mercados em alta, o investidor pode vender uma fração menor do portfólio, preservando mais capital. A venda da ação que mais subiu cria um balanceamento regular e natural ao portfolio (desde que todo ele seja construído com empresas de alta qualidade).
Em momentos de crise, pode-se priorizar a venda de ativos menos impactados ou esperar uma recuperação, se houver liquidez suficiente. Uma vida frugal ajuda muito nesse ponto.
Maior Rentabilidade Potencial
Empresas que retêm lucros e reinvestem no próprio crescimento muitas vezes oferecem maior valorização no longo prazo do que empresas que distribuem altos dividendos.
Índices de ações de crescimento frequentemente superam os de ações de dividendos, pois essas empresas reinvestem em inovação e expansão. (Guarde essa informação para as nossas simulações!)
Redução do Risco de Concentração em um Tipo de Ativo
Se um investidor depende apenas de dividendos, ele pode acabar muito exposto a setores tradicionais (bancos, elétricas, telecomunicações e saneamento), que podem não performar bem em certos momentos do ciclo econômico.
Vender ativos permite uma diversificação mais ampla, incluindo tecnologia, small caps, REITs e ETFs de crescimento.
Desvantagens e Riscos
A Regra dos 4%, apesar de ser um ponto de partida útil, tem algumas desvantagens e riscos, especialmente quando aplicada sem levar em conta as fases do ciclo de mercado. Vamos analisar os principais problemas e estudos que questionam sua segurança.
Talvez o pior risco seja começar mal. Ignorar o Ciclo de Mercado pode ser bastante perigoso. Se um aposentado começa a sacar 4% logo antes ou durante um grande bear market (como 2008 ou 2020), ele pode vender ativos a preços baixos e reduzir drasticamente a longevidade da carteira. Esse fenômeno é conhecido como "Sequence of Returns Risk", onde as primeiras retiradas em períodos de baixa aceleram o esgotamento do portfólio. Por exemplo: alguém que se aposentou em 2000 (quando estoura a bolha das "dotcoms") e seguiu a regra dos 4% teve um desempenho muito pior do que alguém que se aposentou em 2003, após a recuperação do mercado. Segundo o pesquisador Michael Kitces, “se os primeiros anos da aposentadoria forem negativos, o risco de o dinheiro acabar é muito maior do que a média histórica sugere”.
Adicionalmente, um erro no cálculo de Expectativa de Vida torna a regra menos segura. Ela foi criada com base em um período de 30 anos de aposentadoria. Hoje, com o aumento da expectativa de vida, muitas pessoas podem precisar de um portfólio sustentável para 40 anos ou mais. É uma questão relativamente fácil de ser resolvida: para aposentadorias muito longas, basta usar 3,5% ou menos ao invés de 4%. Obviamente, isso requer um valor inicial maior de investimentos antes da parada total na sua carreira.
De volta ao mercado, temos a questão de que o estudo original que criou a regra dos 4% se baseou em períodos onde os juros dos títulos públicos (bonds) eram muito mais altos do que hoje. Em um ambiente de juros baixos e inflação elevada, os retornos reais dos investimentos podem ser menores, tornando os 4% menos sustentáveis. Se a inflação for alta por muitos anos, os saques ajustados para acompanhar o custo de vida (que costuma superar os índices de preços) podem acelerar a queda do patrimônio. Em estudo recente (2022) a agência Morningstar revisou a regra e sugeriu que, devido ao ambiente econômico atual, “uma taxa de 3,3% pode ser mais segura do que 4%”. E 3.3% pode não ser um número realista para quem chega perto da aposentadoria com custos altos de vida.
Ademais, o método que estamos analisando não se adapta a situações pessoais e mudanças no mercado. Ao longo de 30 anos, certamente haverá pedras no caminho. A regra dos 4% assume que o investidor vai sacar um valor fixo ajustado pela inflação todos os anos, independentemente do que estiver acontecendo no mercado ou na sua vida. Isso não faz sentido em muitos casos. Em anos bons, ou naqueles marcados por algum gasto grande (trocar um carro, por exemplo), o investidor poderia sacar mais; em anos ruins, ou que permitem menor consumo, poderia reduzir os saques para preservar o portfólio. Modelos mais flexíveis, como a “Regra do Teto e do Piso” (Guardrails Strategy), permitem ajustes inteligentes baseados no desempenho da carteira. O método de “Guyton-Klinger” sugere ajustar os saques para cima em mercados positivos e reduzir em mercados negativos, aumentando a longevidade da carteira.
Eu, pessoalmente, entendo que a venda de ativos que subiram mais (bull market) e que caíam menos (bear market) pode ser útil, desde que se faça um estudo muito bom das causas das maiores e menores quedas. Uma crise pode quebrar uma empresa e você não querer mais aquele papel. Isso exige uma gestão ativa do seu portfolio e decisões muito bem embasadas. Analise a empresa que cai muito para se certificar de que o preço desabou por pessimismo exagerado e não porque os fundamentos do negócio pioraram substancialmente. Eu uso filtros qualitativos e quantitativos para manter ou tirar uma empresa da minha carteira de aposentadoria. Esse link leva até o post do blog em que descrevo meu sistema e meus parâmetros.
A primeira simulação: o SP500 e dois aposentados
Vamos considerar dois americanos aposentados que pararam de trabalhar e foram viver do seu portfolio em 2010. Usei o exemplo nos EUA porque dos ETFs que me servem melhor para essa conta, o Brasil não oferece nada parecido. E porque, como muitos sabem, sou extremamente favorável a aposentar em moeda forte e viver em país de moeda fraca. Essa não é uma opinião popular, é resultado de como vejo o mundo, assim como vejo os gringos felizes quando chegam ao Brasil e dizem “como tudo é barato por aqui!” Mas… voltando à conta: ambos tinham $500.000 investidos em um ETF do S&P 500 (SPY para este exemplo) e fizeram os seguintes saques anuais:
Aposentado 1 – Saque apenas dos dividendos
- Retira apenas os dividendos pagos pelo S&P 500 a cada ano.
- O capital principal continua investido.
Aposentado 2 – Regra dos 4%
- No primeiro ano (2010), saca 4% de $500.000 = $20.000.
- Nos anos seguintes, ajusta esse valor pela inflação (CPI).
Como ficou? - Resultados da Simulação (2010 - 2023):
Aposentado 1 - Saque apenas dos dividendos
- Patrimônio final: $1.71 milhão
- Saque total acumulado: cerca de $230.000
- O capital cresceu de $500.000 → $1.71M, pois os dividendos não exigiram a venda de ativos.
Aposentado 2 (Regra dos 4%)
- Patrimônio final: $1.50M
- Saque total acumulado: em torno de $300.000
- O capital cresceu menos do que o Aposentado 1, pois os saques foram feitos independentemente dos rendimentos. Mas ele teve um “salário maior” ao longo destes 14 anos.
Conclusão da primeira simulação: deu tudo ao contrário! Quem queria mais renda juntou mais dinheiro. Quem queria juntar mais dinheiro não conseguiu, mas pôde fazer saques maiores. Não atingimos os objetivos individuais dos nossos hipotéticos senhores de idade:
❌ O Aposentado 1 ficou com mais patrimônio no final ($1.71M contra $1.50M).
❌ O Aposentado 2 sacou mais dinheiro ao longo do tempo, pois ajustou os saques pela inflação enquanto o Aposentado 1 dependeu de ajustes feitos pelas empresas no dividend payout.
Mexendo nos ativos: SCHG contra SCHD
Se temos dois aposentados e dois métodos diferentes, não deveríamos imaginar que eles usariam o mesmo ETF para atingir seus objetivos, certo? O mercado americano, como mencionei, tem um ativo para cada gosto. E se o aposentado quer dividendos, ele provavelmente vai investir em um ETF como o SCHD, que foque nas empresas que melhor pagam dividendos, considerando crescimento, yield e segurança. Já o aposentado que quer ver o patrimônio crescer pra vender uma parte a cada ano vai investir num ETF como o SCHG, cujas holdings são empresas grandes e de alto crescimento (faturamento, lucro e margens ascendentes). Ambos começam com 500 mil dólares e usam a aposentadoria de 2010 a 2023.
Aposentado 1 – ETF SCHD (Schwab U.S. Dividend Equity ETF)
- Focado em ações de empresas que pagam dividendos consistentes.
- Yield médio de dividendos: ~3.5% ao ano.
- Tende a ter menor crescimento de preço do que ETFs focados em crescimento.
Aposentado 2 – ETF SCHG (Schwab U.S. Large-Cap Growth ETF)
- Concentrado em ações de crescimento, com menor pagamento de dividendos.
- Yield médio de dividendos: ~0.5% ao ano.
- Crescimento do capital é maior, mas saques vão exigir a venda de ativos.
Tem um palpite de quem levou a melhor? Vamos ver os resultados:
Aposentado 1 – ETF SCHD (Dividendos)
- Patrimônio final: $1.51M
- Saque total acumulado: ~$350.000
- Beneficiou-se de dividendos altos e crescimento moderado.
Aposentado 2 – ETF SCHG (Crescimento)
- Patrimônio final: $1.79M
- Saque total acumulado: ~$290.000
- Beneficiou-se de crescimento mais forte do capital, apesar dos saques constantes.
Conclusão da segunda simulação:
✅ O Aposentado 2 (SCHG) terminou com mais patrimônio ($1.79M vs. $1.51M). Podemos considerar que esta sobra de dinheiro é suficiente para atender o usuário da regra dos 4% e caso de crash ou de algum gasto-surpresa.
✅ O Aposentado 1 (SCHD) sacou mais dinheiro ao longo do tempo, pois os dividendos cobriram grande parte dos saques. Em anos de queda na bolsa ele deve ter tido poucas preocupações, já que sua renda não muda vertiginosamente como o preço dos ativos.
Se o objetivo era preservar e aumentar o patrimônio, SCHG foi melhor. Se o objetivo era ter uma renda passiva estável sem precisar vender ativos, SCHD foi mais eficiente. Ambas atingiram resultado melhor do que as da primeira simulação pela escolha de ativos apropriados para o objetivo de cada investidor. Quem queria crescimento, teve mais. Quem queria dividendos, também teve mais. É importante ter ativos que combinam com a sua estratégia!
Conclusão
Se a pessoa quiser se aposentar sem se preocupar, escolhendo um destes ETFs e trabalhando o escolhido de forma coerente, a tendência é ficar bem. O valor de 500 mil dólares é o mínimo que considero OK para o investidor brasileiro, vivendo no Brasil, possa se aposentar com rendimentos em moeda forte. Se ele vai usar os 4% ou os dividendos, aí vai do estilo de cada pessoa, e do que o governo brasileiro vai inventar a cada mudança do Leão.
Os exemplos levantados aqui não consideram diversificação, carteiras do tipo “all-weather” nem as demandas que cada pessoa que se aposenta terá na terceira idade. Fiz uma análise simplificada para mostrar a validade do modelo dos 4% e a necessidade de coerência entre estratégia e os ativos na carteira. Não existe o “melhor ETF” nem a “melhor ação”. Esse “melhor” depende do que você deseja que o papel faça pelas suas finanças. Analise primeiro a si mesmo, profundamente. Considere toda a sua situação familiar, não esconda defeitos como ansiedade, ganância ou preguiça. O portfolio tem que atender a você, dono dele, como você é, e não como você acha que deveria ser como “investidor ideal”. Ainda mais quando se está envelhecendo e mudar antigos hábitos fica mais difícil.
Minha sugestão é não tomar essas decisões sozinho. Chame seus familiares, traga-os para um atendimento particular com um planejador financeiro e, o mais importante, faça estes estudos ANTES de parar de trabalhar. O Monge Investidor oferece atendimentos particulares com especialistas de grande experiência e conhecimento. Você os encontra aqui. Desejo de coração que o final da sua carreira abra espaço para uma vida mais tranquila, repleta de boas experiências vividas e compartilhadas com quem você ama. Você trabalhou muitos anos para chegar a este ponto. Viva-o bem.
Disclaimer
Este texto reflete a opinião do autor e não constitui uma sugestão, recomendação, indicação e/ou aconselhamento de investimento por parte do Monge Investidor. Nenhuma decisão de investimento deve ser tomada com base nas informações ora apresentadas, cabendo unicamente ao leitor a responsabilidade sobre qualquer decisão que venha a tomar. Todo investimento feito no mercado financeiro envolve riscos, e resultados bons no passado não garantem ganhos no futuro. O autor detém e/ou negocia ativos ligados ao tema abordado em sua carteira proprietária, mas não recebe qualquer tipo de benefício vinculado a estes ativos para fazer avaliações positivas ou negativas. O autor pode realizar compras e vendas dos papéis citados neste estudo (e de outros ativos quaisquer) sem aviso prévio. O Monge Investidor não se compromete a manter o presente estudo atualizado.




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