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🧩 Análise Macro - Bitcoin: morreu, mas passa bem!

Atualizado: 5 de ago. de 2024


Imagem: unplash


Resumo

  1. O Bitcoin é uma moeda digital descentralizada, que não pode ser confiscada, inflacionada, falsificada ou modificada de qualquer forma sem que haja um consenso entre seus mineradores. Possui a escassez embutida em sua arquitetura: jamais passará de 21 milhões de unidades, sendo que destas, mais de 19 milhões já estão em circulação. A menor quantidade negociável de um Bitcoin se chama Satoshi (0,00000001BTC), custando menos de um centavo de real (junho/22).

  2. A mineração, processo pelo qual se obtém novas unidades de Bitcoin, premia o trabalho dos computadores que validam e gravam o histórico de transações em um livro-caixa chamado Blockchain. O prêmio pela mineração diminui com o tempo, reduzindo o ritmo com que novas unidades chegam ao mercado (e pressionando os preços para cima).

  3. O valor do BTC começa pela "prova de trabalho” - o gasto de energia, tempo e materiais para gerar um novo Bitcoin - passa pela facilidade de se realizar transferências internacionais e alcança a importante questão de soberania: a moeda não pode ser confiscada ou censurada por governos, tornando o portador resistente à tirania do ponto de vista financeiro.

  4. Existem maneiras seguras e simples de comprar, manter e até mesmo obter rendimentos regulares com Bitcoin. Mas também há manipuladores e aproveitadores no mercado. É preciso conhecer bem quem é quem, e investir da forma correta. As carteiras não podem ser hackeadas e não há como entrar nelas caso você perca as senhas de acesso!

  5. O preço do Bitcoin é volátil, com grandes variações diárias e de longo prazo. Os ciclos primários de alta e queda são bastante regulares e podem ser usados para trades lucrativos. Estamos em uma fase de queda, com uma unidade custando US$20 mil. O corte no prêmio dos mineradores (halving) é o maior driver de alta deste ativo, pois reduz pela metade a oferta de novos BTC no mercado (hoje são 900 unidades por dia). O próximo corte está há pouco mais de um ano e meio de distância, ponto em que costumeiramente atingimos o menor preço do ciclo. É um momento muito interessante para compras, e realizei uma entrada importante recentemente.

  6. O objetivo da minha carteira de criptomoedas é obter mais Bitcoin. Altcoins, trades e vendas parciais pelas análises do ciclo longo servem para este saldo aumentar sem que seja preciso colocar mais dinheiro fiat no negócio. Mas não descarto novas injeções de capital caso um desastre nos preços rompa todos os padrões e traga a moeda para preços módicos (abaixo de US$10 mil). Considero, no entanto, este cenário bastante improvável.

Estudo publicado em 30/08/2020 exclusivamente para os assinantes Top100.

Atualizado e divulgado no site em 22/06/2022.



Satoshi Nakamoto e a revolução do Bitcoin

Em 2008 o mundo afundava em uma crise gigante, causada por um sistema financeiro doente, e mal-regulado (ou regulado para o mal) que criou inúmeras distorções e injustiças a ponto de comprometer o capitalismo como ele foi imaginado e regido desde Adam Smith até o nascimento dos bancos centrais. Revoltado com esta situação e querendo oferecer um retorno aos valores clássicos de prova de trabalho, transparência e liberdade, um programador, sob o pseudônimo de Satoshi Nakamoto, apresentou um paper com um código aberto de software: o DNA do Bitcoin.

Até hoje não sabemos quem ele é, mas sua obra foi avaliada e colocada em funcionamento por outros programadores e o projeto pegou embalo. Levou alguns anos até que a infra-estrutura necessária fosse disponibilizada a consumidores e investidores comuns, desacostumados com linguagens complexas, mas hoje as interfaces de uso do Bitcoin são fáceis e intuitivas, permitindo a qualquer pessoa que tenha um celular adquirir, transferir e vender a primeira e mais famosa criptomoeda do mundo.

O termo “cripto" vem da programação avançada desenvolvida por Nakamoto, que cria o processo de autenticação conhecido como “consenso”. Ao invés de uma central receber e validar transações (como um banco ou operadora de cartões de credito, por exemplo), as trocas envolvendo Bitcoin são validadas por uma rede de computadores voluntários conectados, chamados mineradores. Nenhum agente sozinho consegue validar (e muito menos editar) transações, é preciso que toda a rede envolvida concorde, entre em consenso. E isso dispensa o controlador, governante, regulador - o consenso anula a necessidade um agente de confiança porque o sistema, como foi feito, é incorruptível.

Não vou entrar nos pormenores técnicos aqui, mas deixarei ao longo do estudo links para que o leitor possa se aprofundar em cada detalhe. Abaixo, apresento os primeiros, sobre a arquitetura do Bitcoin:


Porque o Bitcoin e o Blockchain são revolucionários

Além dos motivos óbvios, como uma moeda livre de inflação e um sistema de pagamentos sem fronteiras, sem governo e com leis programadas invioláveis, o Bitcoin traz em seu livro-caixa, o Blockchain, uma inovação tão disruptiva e fantástica quanto o motor a vapor foi para a Revolução Industrial. O consenso dos computadores já reverbera em processos industriais, de logística e governança. Bancos Centrais estudam o Blockchain como uma forma de, emitindo suas moedas oficiais através de um sistema parecido, garantir a austeridade monetária e fiscal, impedir a inflação e acabar com os crimes financeiros (ou controlar e censurar toda a humanidade num cenário estilo 1984 de Orwell, mas vamos deixar isso para mais adiante). A utilidade e as implicações do Blockchain ainda não são totalmente entendidas, pois há pouco menos de 15 anos ninguém tinha idéia do que estava por vir. O certo é que o futuro do dinheiro foi radicalmente alterado por esta nova tecnologia.

O mercado financeiro já fala em transformar em tokens (espécie de vale-moeda em contratos digitais) as atuais ações e cotas de fundos. Programas de fidelidade e outros tipos de crédito também estão sendo “tokenizados". A votação em plebiscitos (e a infame contagem dos votos feitos em urnas digitais), a distribuição rápida de auxílios emergenciais, as transações bancárias internacionais, todas elas ganham em viabilidade, velocidade e transparência com o uso dos blocos de registro validados por consenso, mesmo se o Blockchain for separado do Bitcoin e usado em uma moeda centralizada.

Para saber mais sobre a revolução do dinheiro digital:


O lado negro da força


A vingança dos governos não tardou. Depois de alguns anos, o Bitcoin não morreu e passou a ser adotado, ainda que timidamente, por pessoas do mundo todo. Governos e bancos centrais perceberam que perderiam poder e controle sobre as pessoas, mas que este poderia ser retomado pela mesma arma que os atingiu. Passaram a desenvolver Central Bank Digital Currencies, ou CBDCs. Elas são muito mais do que versões digitalizadas de seus pares fiduciários.

Países como China, EUA e Brasil possuem grupos de estudo governamentais que visam a criação de moedas semelhantes ao Bitcoin para substituir as atuais Yuan, Dólar, Real, etc. O Pix é um protótipo de CBDC, em que o Banco Central atua como monitor e controlador de todas as transações entre pessoas e empresas. Quando o Real Digital chegar, todas as trocas de moeda obrigatoriamente serão feitas pelo sistema Pix. As carteiras onde este dinheiro será guardado não terão chaves privadas - o controle do seu dinheiro estará nas mãos do Banco Central, que poderá dar ao Real Digital características quaisquer, como por exemplo impedir que você compre determinado produto ou doe seu dinheiro a determinada instituição. Pode ainda impor uma validade ao dinheiro recebido, ou travar o acesso por uma decisão judicial ou política. Em resumo, o dinheiro não será mais seu, pois não haverá um lugar seu para guardá-lo e nem liberdade para fazer com ele o que você bem entender.

É fácil erguer as sombrancelhas para o que você acabou de ler. Sim, trata-se de totalitarismo, uma ideia que nos parece distante, mas que vem se aproximando perigosamente, em atitudes tomadas mesmo em países democráticos, como leis anti-protesto vestidas de anti-terrorismo e promessas de controle da imprensa e da liberdade de expressão pintadas como combate à desinformação. Tais leis e decretos já foram aprovadas nos EUA (Patriot Act), no Canadá e por muito pouco não foram instaladas aqui no Brasil em 2013, quando os protestos apartidários contra a corrupção ameaçaram a execução da Copa do Mundo sediada em nosso país.

Minha sugestão ao leitor é que analise esta questão do ponto de vista de risco/dano. De onde eu vejo, o risco é pequeno, mas real. E tal situação não é inédita. Pessoas tiveram de deixar seus países e seus pertences para trás inúmeras vezes na história (Síria, Venezuela, Sudão, Ucrânia, Sri Lanka, Mianmar/Burma são alguns exemplos recentes). O dano potencial para os migrantes que largaram tudo foi enorme, pois só não perderam a vida. Ter Bitcoin significa carregar consigo parte do seu patrimônio caso seja preciso deixar seu país, ou poder viver em uma economia de “mercado negro” caso decida ficar. Os antigos nômades e ciganos usaram o ouro, mas hoje este seria pego no aeroporto em caso de fuga, e seu uso no comércio moderno é muito difícil em caso de permanência. O Bitcoin, nesse sentido, é o ouro digital.


Para saber mais:


Derrotando as críticas

Quero dedicar algum tempo para desmistificar e desmentir falsas polêmicas criadas sobre o tema, por ignorância ou por interesse em defender o sistema financeiro atual. Infelizmente, a imprensa dá muita voz aos críticos sem checar os fatos. Selecionei os “mitos" que acredito serem os mais comuns e os que mais espantam as pessoas, para esclarecermos um a um:

  1. O Bitcoin não tem lastro: uma unidade de BTC precisa de trabalho para ser criada, e este trabalho tem um custo em dinheiro, tempo, energia, conhecimento, hardware e software. Hoje a capacidade de computação usada na mineração de BTC (hashrate) ultrapassa a usada pelo Google! E o lastro físico das moedas oficiais não existe desde que o mundo adotou o Dólar como reserva, e os EUA abandonaram o ouro como lastro de sua moeda em 1971. Quem não tem lastro não é a criptomoeda, são as moedas oficiais, ou fiat (criadas por decreto). A criação de moedas oficiais na casa de 20 trilhões de dólares nos últimos 2 anos é a maior prova disso.

  2. O Bitcoin não tem valor intrínseco: se você fosse um argentino, quanto pagaria para ter certeza que seu dinheiro não será confiscado? Se fosse um venezuelano, quanto pagaria para se proteger da inflação? Se fosse chinês, estaria disposto a comprar uma carteira cujo valor guardado é desconhecido por seu governo? Se fosse um brasileiro trabalhando nos EUA, gostaria de transferir seu salário para familiares no Brasil rapidamente e sem custo? Pois tudo isso é proporcionado pelo Bitcoin. Nenhum dinheiro tem valor intrínseco. Ele é um símbolo, uma ferramenta - algo que carrega características que o tornam prático e confiável. O Bitcoin reúne praticamente todas elas. É o melhor dinheiro já criado até hoje.

  3. Morreu nessa última queda, vai desaparecer: não desapareceu depois de uma década de ataques, e cada vez mais tem sido usado por pessoas e empresas do mundo todo. Os meios de pagamento, de negociação, armazenamento e consumo de criptomoedas não param de crescer. Fundos de investimento estão comprando como especulação, investimento e proteção. Governos querem copiar sua fórmula para modernizar suas moedas. Dois países já o adotaram como moeda oficial. O Bitcoin veio para ficar.

  4. É moeda de bandido e terrorista: terroristas e bandidos usam Bitcoin. E usam reais, dólares, ienes, rublos, francos, diamantes… Existem algumas criptomoedas, como o Monero, que são praticamente impossíveis de rastrear e criminosos podem usa-las para sumir com recursos adquiridos ilegalmente. Não é o caso do Bitcoin, cujas transações são rastreáveis, ainda que anônimas. Tudo o que muda de endereço é registrado no Blockchain, e órgãos de investigação precisam se atualizar para essa nova tecnologia, como se atualizaram para outras que já são parte de nossa realidade.

  5. É uma bolha: quem ignora os ciclos do Bitcoin se assusta com suas altas e quedas enormes. Quem olha os gráficos longos trabalha com bastante tranquilidade. A volatilidade do BTC é maior que a de ativos negociados em bolsa porque o BTC não possui circuit-breakers, aquelas pausas nas negociações que as bolsas aplicam em ativos que subiram ou caíram rápido demais. Além disso, uma parte pequena do estoque está disponível para compra e venda nas corretoras (free float pequeno). Isso permite movimentos muito grandes quando uma ordem pesada de compra ou venda aparece. Para quem faz trades de curto prazo e operações alavancadas, todo cuidado é pouco com esta volatilidade excessiva. Mas para macro-traders e fundamentalistas, o Bitcoin serve de hedge contra as barbeiragens e manipulações do sistema financeiro tradicional.

  6. Já ficou caro demais, cheguei tarde: ainda estamos na fase inicial da revolução, em que menos de 5% da humanidade lida com criptomoedas. A adoção cresce acelerada, mais rápido do que a própria internet nos anos 90, e vai atingir boa parte do mundo em pouco tempo. Quem entrar agora pode ter perdido os primeiros ciclos, mas pega ainda muita coisa que está para acontecer. E hoje, com o mercado operando em desespero e pânico, o BTC pode ser comprado com desconto de 70% sobre seu valor mais caro, o topo histórico atingido no ano passado. Não é tarde, pelo contrário. Tarde será no dia em que o mundo todo usar CBDCs e as pessoas forem proibidas de adquirir criptomoedas com o dinheiro controlado pelos governos. Nesse momento um Satoshi vai valer uma pequena fortuna, pois será uma vaga naquele último comboio a fugir de uma nação em chamas.

Wallets, Exchanges e os lobos na floresta

Wallets são carteiras ou cofres onde guardamos criptomoedas. Nenhuma wallet até hoje foi violada. Existem wallets de papel (meros registros de senha pública e privada), de hardware e de software. Eu até hoje usei apenas os aplicativos de celular com bastante tranquilidade, mas estou comprando uma cold wallet para guardar parte do que tenho longe de tudo e de todos. A senha pública é sua forma anônima de receber Bitcoins. Sua senha privada, de enviar. Algumas wallets permitem também a troca de BTC por dinheiro comum e criptos mais conhecidas, assim como receber juros sobre seus depósitos através da rede DeFi. Para uma gama maior de moedas e aplicações, porém, você vai precisar de uma exchange.

Exchanges são ambientes semelhantes a bolsas de valores ou casas de câmbio. Sua função é listar um maior número de altcoins (criptomoedas e tokens de segunda e terceira linhas) e facilitar transações de moedas oficiais por meio de depósito bancário e cartões de crédito. Elas estão crescendo e se especializando, atingindo novos mercados, traduzindo seus sites para muitas línguas e oferecendo serviços de pool de mineração, staking e alavancagem. É preciso ter cuidado com estes serviços, e com recursos fora da sua wallet - toda corretora pode quebrar, ser roubada, confiscada, proibida de operar em seu país… e você não é dono das moedas que não estão em seu poder. Hoje as corretoras de ações estão montando ambientes de compra e venda de criptomoedas dentro de seus sites, como faz a Passfolio. E há fundos de criptomoedas sendo negociados nas bolsas de valores, como o HASH11. As opções são muitas e seguem crescendo.

OTC (Over The Counter) existem transações pessoais e institucionais que não passam por intermediários como as exchanges. São as chamadas negociações de balcão ou OTCs. Algumas exchanges oferecem o serviço, mas ele pode ser tão simples quanto encontrar uma pessoa em um shopping center, receber dela uma fração de Bitcoin em sua wallet e dar a ela o dinheiro equivalente. As maiores movimentações de BTC costumam acontecer por OTC para que haja garantias contratuais e bancárias, e para que toda a transação aconteça com apenas um valor de conversão (pois uma ordem de compra gigante engoliria centenas de ordens de venda na exchange, a preços diferentes, causando um rebuliço no mercado).

E os lobos? Bem, existem vários e estão por toda parte. Onde você ler: "mande dinheiro que nós operamos criptomoedas para você", desconfie. Onde oferecerem ganhos fixos mensais altos baseados em trade ou arbitragem, desconfie. Alavancagem de 10x, 20x, 125x? Desconfie. 95% dos alavancados perdem dinheiro, derrubados por grandes operadores. Mas desconfie um pouco também de conhecidas corretoras, pois elas operam de formas questionáveis e estão em batalhas jurídicas eternas com países importantes como Japão, China, EUA e Brasil. Use as exchanges grandes para suas compras e vá embora: armazene suas moedas em wallets seguras e em invista preferencialmente em ambientes descentralizados ou muito bem estruturados.


Para saber mais:

Renda passiva, trade e buy-and-hold

O universo das criptomoedas é vasto e há inúmeras oportunidades de fazer o seu patrimônio crescer, inclusive pelo Buy-and-Hold de Bitcoin, esperando que o ciclo reinicie e o próximo corte na mineração faça efeito. Esta tática simples e eficaz bate muita gente que compra e vende no curto prazo tentando pegar oscilações rápidas do mercado. Mas quem costuma se dar mal pra valer são os alavancados: quem monta uma posição com alavncagem de 10/1, po exemplo, é liquidado com uma mudança contrária ao seu trade de apenas 10%, e isso é produzido atificialmente, liquidando centenas de milhões de dólares num só movimento causado pelas próprias corretoras que oferecem o “serviço” (armadilha). Se você é novo no mercado financeiro, não seja ganancioso, não use alavancagem, aprenda a negociar ativos com manejo de risco!

Eu utilizo principalmente ambientes DeFi para receber proventos por emprestar minhas moedas, sejam isoladas (provedor de crédito) ou em pares (provedor de liquidez). Faremos um artigo apenas sobre estas operações que, assim como a alavancagem, considero avançadas. Para quem está entrando nesse mercado a opção de um ambiente centralizado para aplicar parte de seus BTC pode ser mais prática, simples e lucrativa. Eu utilizo a empresa americana BlockFi, dos irmãos Winklevoss, famosos por serem os primeiros bilionários do mundo cripto. Tenho quantidades limitadas aplicadas por lá para aumentar meus ganhos, abrindo mão da custódia de minhas moedas. Os ganhos obtidos são retirados gradualmente, até que eu tenha zerado o meu risco por retirar valores iguais aos depositados. As taxas variam, mas podem chegar a 6% ao ano sobre BTC e até 9% ao ano sobre outras moedas. Atenção: ganhos muito maiores do que estes normalmente escondem pirâmides financeiras e outras picaretagens. Fique ligado!


Para realização de trades em Bitcoin, avalio pontos de entrada e saída a partir dos modelos estatísticos abaixo. Os gráficos e links foram obtidos no site www.lookintobitcoin.com


Modelo Stock-to-Flow (o case de US$ 1 milhão)

Observe o gráfico abaixo, que mostra nos pontos coloridos o preço do Bitcoin. Passada a vontade de se matar ao descobrir que em 2010 1 BTC custava menos de US$0.10, nota-se que ele possui saltos e recuos extremos. Cada ciclo de alta e queda pé marcado por um halving, aquele corte no prêmio dado aos mineradores. Conforme a data do halving se aproxima, a cor do preço vai mudando, ficando roxa no momento do corte, vermelha depois dele, passando para o amarelo, verde e azul. A mineração rende hoje 6.25 BTC por bloco validado e vai cair para 3.125 daqui aproximadamente 20 meses. Como os mineradores vendem parte do que produzem para bancar seus custos operacionais, a pressão vendedora cai junto com a remuneração deles. A oferta reduzida à metade contra uma demanda constante já dobraria o preço, mas a expansão da procura pela moeda e fatores econômicos levaram o BTC a se valorizar muito mais do que isso. Esse cálculo de oferta caindo e demanda crescendo dá origem ao gráfico “S2F”.


De 2025 em diante o preço justo para o BTC não vai mais depender da mineração, já que a oferta de novas unidades cairá praticamente a zero - Primeira Lei do Bitcoin, “∞/21M", ou “Só pode haver 21 milhões de unidades de BTC contra infinitas unidades de outras moedas”. O driver de preço, então, passará a ser a demanda dos usuários ou, se visto pelo outro lado, o “∞”, ou seja, a disponibilidade de outras moedas para comprar Bitcoin. Economicamente falando, o propulsor dali em diante é a inflação das moedas ilimitadas (fiduciárias e altcoins!) que compram uma moeda escassa, deflacionária. O preço de estabilização do BTC por este modelo fica logo abaixo de 1 milhão de dólares.

O efeito gravitacional do “preço justo” calculado pelo modelo Stock-to-Flow é nítido. Quando o valor corrente se afasta demais da linha de referência, oferece oportunidades para traders: se o BTC cair muito abaixo, aumenta-se a posição. Se disparar para muito acima, reduzo-se a posição e se aguarda um recuo para voltar a comprar. Fases de compra e venda estão afastadas alguns anos, permitindo que os movimentos sejam planejados com calma.


Um ponto vital contra o modelo S2F: este último ciclo não viu o preço disparar para cima da linha de preço justo, o que fez com que eu não tivesse chance de vender mais no topo de 69K. Pode ser que o modelo não funcione bem daqui para frente e seja abandonado. Mas também pode ser que o próximo ciclo compense a falha deste último. Eu entendo que o modelo não é mais confiável, pelo menos por enquanto, e precisa dessa surpresa positiva para voltar a ser considerado. Até lá, vamos olhar outros modelos matemáticos para auxiliar nossa análise!

Para saber mais:


Índice de Medo e Ganância (Fear & Greed Index)

Também conhecido por um “reloginho” (widget) que aparece em várias paginas do Twitter e do Instagram, o medidor de sentimento do mercado é uma forma muito interessante de visualizar topos e fundos do BTC no médio prazo (trades de alguns meses com alvos em torno de 40%), comprando nas cores vermelhas, especialmente abaixo de 20, e vendendo nas verdes, especialmente acima de 80. Estamos em 9 pontos de 100 - o pânico do mercado sobre o futuro do Bitcoin é praticamente total, levando a crer que estejamos em um bom momento de entrada.



Ainda que Warren Buffet não goste de criptomoedas, a sua famosa frase “compre ao som dos canhões e venda ao som de violinos” cai como uma luva no gráfico abaixo. Este é o melhor indicador de pontos de entrada e saída para o position trader (que costuma usar gráficos semanais e fazer negócios de alguns meses). É importante que se tenha atenção apenas a dois detalhes: hoje o índice é usado para várias criptos e mesmo para outros mercados, por isso temos que nos certificar de estarmos lendo a informação correta. Adicionalmente é importante notar que em certas ocasiões o medo e a ganância duraram muito tempo, logo é imprudente usar apenas o índice para comprar e vender - ele serve para nos dar o primeiro sinal, mas a decisão passa por outros gráficos e estudos.


Para saber mais:


Modelo da Média de 2 anos Multiplicada (2YMA)

Este gráfico possui duas linhas de referência para identificarmos momentos em que o Bitcoin encontra-se muito barato (sobrevendido) ou muito caro (sobrecomprado), indicando momentos de compra e de venda da moeda para o macro-traders (que costumam utilizar gráficos mensais e fazer negócios que duram alguns anos). A linha de referência para sobrevenda é a média aritmética de 2 anos, ou seja, o preço médio dos dois anos anteriores àquele ponto. Preços abaixo desse nível são pontos de compra. A linha de sobrecompra é feita pelos valores da média de 2 anos multiplicados por 5. Acima da linha vermelha o macro-trader encerra as suas posições compradas e pode até entrar vendido (short) contra o BTC.


Para saber mais:


Linhas de Suporte e Resistência

Com uma escala logarítmica (sempre essa, nunca use a escala aritmética!) é possível traçar no gráfico de preços os pontos de entrada esperada de compradores e de vendedores, as famosas linhas de suporte (compradores) e resistência (vendedores) da análise técnica. A orientação dessas linhas nos mostra a tendência de um ativo: se elas são descendentes, com topos e fundos de preço feitos em valores cada vez menores, o ativo está em tendência de baixa. Se estão na horizontal, a tendência do ativo é lateral. Se as linhas forem ascendentes, a tendência do ativo é de alta. O trader sempre vai procurar ativos em tendência de alta para comprar perto dos suportes e vender, ao menos parcialmente, perto das resistências.

Uma tendência não é lei pétrea, pois o mercado muda, e muitas vezes o ativo muda. Empresas lucrativas passam a dar prejuízo, grandes presidentes morrem ou são substituídos, ou o mercado pode entrar em pânico em um dado momento e passar a vender bons produtos de forma irracional até que o medo seja drenado. Estes movimentos de mudança de tendência geram uma saída do trader daquele negócio iniciado, pois a análise baseado na tendência rompida não é mais válida. A saída automática abaixo do preço mínimo que ainda mantém o ativo em sua tendência atual se chama “stop”. Traders de curto prazo usam ordens de stop para venderem os ativos sem precisar pensar duas vezes. Traders de longo prazo costumam fazer seus stops manualmente, depois de observar se o rompimento da tendência foi algo fortuito ou se veio para ficar.


Fonte: lookintobitcoin.com

No gráfico vemos as linhas de suporte e resistência em amarelo, marcando os topos e fundos mais significativos do Bitcoin. Da mesma forma que no modelo S2F, nota-se que os topos do ciclo que agora se encerra não atingiram a linha superior. Há uma fraqueza na força de alta inesperada. Para piorar, recentemente perdemos a linha amarela inferior, ou seja, a tendência está sendo posta à prova. O que me alivia, como analista de longo prazo, é que este rompimento durou pouco e hoje já estamos de volta dentro do canal entre as linhas. De onde eu vejo, a tendência ainda é de alta e o rompimento foi falso (como aliás aconteceu em 2020). Mas é algo para ficarmos muito atentos. Se a tendência for perdida por mais de um mês, pode ser que eu saia do trade que detalho abaixo e aguarde um momento mais apropriado para comprar.


Para saber mais:


Raio-X do Trade Anterior (2020-2021)

Nota: Este trade não foi divulgado publicamente, a não ser para nosso grupo de assinantes selecionados, o Top100. Novos membros deste grupo são convidados pela nossa equipe após se destacarem participando de cursos, lives e mídias sociais do Monge Investidor. Não é um grupo que se possa pagar para entrar, é preciso merecer um lugar entre os Tops. Para saber mais cedo o que eu e os outros Monges estão fazendo e como estamos investindo, siga a gente de perto, comente nossas postagens e materiais e aguarde o convite!

Meu objetivo com a carteira de criptomoedas é ter a maior quantidade possível de Bitcoin. Altcoins que possuo servem apenas para trazer rendimentos passivos que serão transformados em BTC no momento certo. É um recurso paralelo e independente do sistema financeiro tradicional, livre de censura governamental, que busca não o meu enriquecimento, mas sim garantir a minha liberdade e soberania. O valor que tenho hoje em wallets não vai voltar a ser trocado por reais ou dólares, mas vai migrar de uma criptomoeda para outra. Portanto, "comprar" significa trocar stablecoins (moedas digitais balizadas pelo dólar) por Bitcoin. Vender significa o inverso.

Com esta informação em mente, vejamos como foi que comprei e vendi Bitcoin no ciclo que está se encerrando, para que fique bem claro o plano do ciclo seguinte. Vamos dizer que eu tenha comprado Bitcoin a US$10.000 em julho/2020 para este primeiro trade. Estou arredondando os valores para facilitar o exemplo. A entrada foi tardia, o ponto certo teria sido meses antes, quando revisitamos os US$3.500 em março/2020, chegando bem pertinho da linha de suporte (em branco na figura abaixo, mas é a mesma linha amarela do gráfico anterior, das curvas logarítimicas). Não entrei naquela época por estar em um período pessoal conturbado em que eu mesmo pausei as minhas operações por entender que não tinha a tranquilidade necessária para analisar adequadamente os ativos. Esse filtro pode ter me feito ganhar menos dinheiro nesse trade, mas certamente me impediu de fazer enormes burradas.



Ao atingirmos o preço de 30 mil dólares, vendi 1/3 desta posição, pegando de volta todo o valor investido na forma de stablecoins (USDC e BUSD). Livre do risco, deixei o restante do trade prosseguir com alvo final perto em US$ 100 mil (modelo S2F, que ainda considerava válido na época) ou ao tocar linha superior do gráfico, o que viesse primeiro. A cerca de 10% da resistência, observaria de perto o comportamento da moeda e passaria a vender gradualmente o restante da posição, aguardando mais um grande recuo para recompra, perto de US$ 20 mil ou da linha branca inferior do gráfico. As análises foram produzidas no site www.tradingview.com.


Como sabemos agora, o modelo S2F falhou e não chegamos no alvo final. A venda de 1/3 da posição aconteceu e agora estamos no ponto de recompra. O ideal teria sido vender todo o BTC remanscente a US$100.000, guardando uma bolada para comprar mais moedas na linha pontilhada verde. Mesmo assim, considero que o trade foi bem sucedido, pois o primeiro alvo foi atingido, 2/3 dos BTCs comprados ficaram comigo (ainda com aprox. 100% de lucro sobre o preço de compra) e tenho recurso em caixa (1/3 vendidos) para montar uma nova operação que relato a seguir.

Raio-X do Trade Atual (2022-202x)


A primeira e mais importante observação sobre um ativo que vai ser comprado, do ponto de vista do trader, é a tendência, como explicamos mais cedo. Esta pode ser demarcada por topos e fundos, ou pelas linha que unem os topos e fundos mais importantes. Para o trade anterior e para o que teve início este mês, observei os topos mais importantes de cada ciclo, unindo-os em uma linha de tendência de alta, em branco.



Cada ciclo possui uma fase de alta e uma de baixa, e o preço mais baixo marca o fim de um ciclo e o começo do seguinte. O ciclo iniciado em 2015 teve seu menor preço 18 meses antes do halving. No ciclo seguinte, a mínima foi atingida 17 meses antes do corte. Estamos há 20 meses do corte seguinte, entrando na parte compradora do ciclo. As setas em laranja marcam cada um destes fundos, e as azuis, o movimento esperado quando o ciclo teve início, baseado nos modelos que detalhamos anteriormente.

O trade aberto em 2020 ainda aparece em pontilhado, enquanto o atual, em linhas verde e laranja sólidas. Reparem que o candle atual, do mês de junho/2022, apesar de ainda não termos encerrado o mês, sentiu o toque na linha de tendência e não a rompeu. Um candle verde em julho seria uma importante confirmação de força compradora e nos daria ainda mais segurança. Decidi, no entanto, já comprar agora, buscando o menor preço possível ainda que a confirmação técnica da alta exigisse mais dois meses com candles verdes, o de agosto superando a máxima do de julho, entrando definitivamente na janela de proximidade do halving de 2024.

Realizei a compra perto de US$22.000 com aquele saldo remanescente da primeira operação. Não coloquei dinheiro novo no negócio devido aos modelos estarem sendo postos em cheque. Pode haver uma nova queda, a perda da tendência primária e o BTC se oferecer a preços não vistos nos últimos anos, como 3.5K. Somente nesse caso eu farei novas injeções de capital em cripto ou operarei a partir de corretoras como a Passfolio. A primeira venda agora tem como alvo 67.000 dólares, que correspondem a um ganho de 3/1 (posso vender 1/3 e zerar o risco da operação) e à proximidade dos topos do ciclo que está se encerrando, logo é um importante ponto de resistência a ser vencido.


E a venda final? Bem, neste momento não tenho um alvo em preço definido para fechar majoritariamente posições de Bitcoin, já que precisamos ver com que força ele vai retomar a alta e como vão reagir os modelos que descrevi. Numa alta explosiva, vou vender quando todos os indicadores mostrarem sobrecompra, em especial acima de US$ 1.0M. Numa alta fraca, fico dentro do trade enquanto a linha de tendência de alta for mantida. Novas compras eu farei sempre que ela for tocada, o que eu espero para daqui uns 4 anos, quando todos lá fora estiverem dizendo que o Bitcoin morreu.

Conclusão

Este trade serve a uma carteria de criptomoedas cujo objetivo é o acúmulo de Bitcoin no longo prazo. Os alvos, os valores e a ausência de stops são decisões pessoais que fazem sentido dentro da minha estratégia. A entrada acontece agora por entender que o calendário, a linha histórica de alta e as indicações de sobrevenda fazem mais sentido do que a fraqueza de certos modelos e a falta de liquidez nos mercados. Caso a minha análise esteja correta, estarei em risco somente até os 67K. Depois de vender parcial, o céu é o limite e o risco é quase zero (sempre estamos sujeitos a algo apocalíptico, afinal). Mas até lá, posso perder dinheiro caso a linha de tendência de alta seja perdida. É um risco que eu entendo que vale a pena correr, dentro da minha estratégia geral de 4 carteiras. É algo acordado com a minha família, feito com manejo de risco, com estudo e com calma. Meu objetivo aqui não é oferecer um atalho para que o leitor copie o que eu fiz sem passar pelas etapas anteriores, mas mostrar onde se pode chegar ao estudar sobre investimentos, criptomoedas e análise técnica. Ainda, desejo apresentar um exemplo da nossa estratégia em tempo real, aplicando tudo aquilo que o Monge Investidor ensina. Para que o iniciante se desenvolva, oferecemos produtos educativos aqui no site, em nossas mídias sociais e no nosso canal de Youtube. Desejo a todos sucesso e prosperidade!



Disclaimer: Esse texto reflete a opinião do autor no momento em que foi publicado e não constitui uma sugestão, recomendação, indicação e/ou aconselhamento de investimento. Nenhuma decisão de investimento deve ser tomada com base nas informações ora apresentadas, cabendo unicamente ao investidor a responsabilidade sobre qualquer decisão que venha a tomar. Todo investimento implica em riscos, e ganhos passados não garantem resultados futuros. O autor detém e/ou negocia ativos ligados ao tema abordado em sua carteira proprietária.





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