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💡 Juros – O Custo do Capital

Atualizado: 17 de mar. de 2025

Prof. Francisco Queiroz


Prezado amigo, detalho de forma simples no artigo de hoje os principais conceitos sobre a taxa básica de juros (SELIC), sua relação com investimentos em renda fixa, os motivos que fazem desta um benchmark (índice de referência) para o mundo dos investimentos e sua relação direta com a inflação. Boa leitura!


· Conceito de Juros -


Da mesma maneira que abrimos mão do uso de um imóvel quando o alugamos em troca de uma receita mensal de aluguel, nós cobramos juros quando abrimos mão de usufruir de uma determinada quantia e “alugamos” este capital.


Os juros correspondem ao valor do capital ao longo do tempo, é determinado por quanto o tomador de crédito (quem precisa de recursos) pagará pelo capital cedido pelo investidor. Percebemos assim que o pagamento de juros está diretamente relacionado a títulos de crédito (renda fixa), sendo estes, papéis representativos de uma dívida a ser paga e um valor corrigido a ser recebido.


A aplicação de juros pode incidir apenas sobre o capital inicial (JUROS SIMPLES), ou sobre o valor da dívida corrigida (JUROS COMPOSTOS). Esta diferença parece ser um mero detalhe, mas faz a alegria do investidor e a tristeza do tomador de empréstimo. Tenho certeza que você conhece alguém (senão você mesmo) que acabou pagando o dobro do valor de mercado de um carro por tê-lo comprado financiado.


Veja a diferença neste exemplo:

i. empréstimo de R$100.000 com vencimento em 5 anos, a uma taxa de 10% ao ano.


i¹ - Juros simples

Nos juros simples o pagamento de 10% anual ocorrerá sempre em cima do valor do empréstimo (R$100.000), logo serão 5 cobranças (uma por ano) de R$10.000

Total: 100.000+10.000+10.000+10.000+10.000+10.000 = R$150.000


I² - Juros Compostos

Nos juros compostos o pagamento de 10% anual ocorrerá sempre em cima do valor corrigido pelos juros do período

1º ano – R$100.000 + R$10.000 (10% sobre a dívida) = R$110.000 2º ano – R$110.000 + R$11.000 (10% sobre a dívida) = R$121.000

3º ano – R$121.000 + R$12.100(10% sobre a dívida) = R$133.100

4º ano – R$133.100 + R$13.300(10% sobre a dívida) = R$146.400

5º ano – R$146.400 + R$14.640(10% sobre a dívida) = R$161.040


Perceba, a diferença entre juros simples e juros compostos gerou, em apenas 5 anos, um aumento de R$11.040 no valor total da dívida! Você percebeu como a diferença no valor da dívida foi aumentando de escala a cada ano?


No final do primeiro ano o valor da dívida era de R$110.00, independente do tipo de juros. Mas a partir do final do segundo ano a diferença entre as dívidas em regime de juros simples e juros compostos começam a mudar progressivamente, finalizando o segundo ano com diferença de apenas R$1.000. No final do terceiro ano esta diferença já era de R$3.100, depois já subiu pra R$6.400 no quarto ano e depois para R$11.040 no quinto ano, quase o dobro da diferença anterior!

Imagine agora o potencial dos juros compostos ao longo de toda uma vida!


Quanto os juros compostos podem otimizar sua aposentadoria se puderem atuar por 30 anos?

Taxa Básica de Juros “SELIC” e o CDI– “Emprestar para o Governo é sua referência”.


Nossa taxa básica de juros é representada pela “Selic” – Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, o qual se trata de um sistema do mercado financeiro administrado pelo Banco Central. Neste sistema são transacionados, entre bancos e instituições, os títulos públicos federais, de modo simples é a ferramenta por onde o Governo Federal vende seus títulos para os Bancos. Nossa “Selic” corresponde a taxa média ajustada dos financiamentos que ocorrem neste sistema diariamente.


A taxa básica de juros de uma economia é o principal instrumento de política monetária para controlar a inflação, ela influencia todas as taxas de juros do país, de empréstimos, financiamentos, até as aplicações financeiras.


A negociação destes títulos públicos federais é feita com as pessoas físicas por meio do Tesouro Direto, que nada mais é do que um programa onde o Governo Federal consegue financiar-se tomando empréstimo das pessoas físicas. Um título federal é um título de dívida que a União assumiu com o investidor, nele constam a data de vencimento da dívida e os juros que serão cobrados. Existem diversos títulos públicos federais diferentes pelos quais a União consegue se capitalizar (e nós investirmos), mas este não é o tema deste artigo, foquemos na Letra Financeira do Tesouro – LFT, a qual é conhecida popularmente como Tesouro Selic.


De todas as opções que temos dentro do Programa Tesouro Direto a LFT é a forma mais conservadora e menos arriscada de financiarmos o Governo, isto se dá pela liquidez (capacidade de vender seu título e transforma-lo em dinheiro) e pela rentabilidade ser pós-fixada, se ajustando assim as flutuações da Taxa Selic.


Já o CDI – Certificado de Depósito Interbancário – representa a média dos juros praticados pelos bancos quando emprestam dinheiro de curto prazo entre as próprias instituições, sem a necessidade de utilizar títulos do Tesouro Nacional, e sua taxa acompanha de perto os movimentos e valores da taxa Selic.


Agora, pense comigo... se a União está disposta a pegar meu dinheiro emprestado, me devolvendo em pouco tempo quando eu precisar, com a segurança e a soberania do Banco Central sobre nossa moeda, e me pagar como juros a Taxa Selic. E os bancos aceitam emprestar seus recursos entre eles pelo CDI. Por que eu emprestaria por juros menores pra alguém que não me oferece a mesma segurança?


Este é o motivo que faz da Selic e do CDI Benchmarks, eles são referências que temos para rendimentos em investimentos de renda fixa de curto prazo e liquidez. Quão menos confiável for o credor, melhor precisa ser o rendimento via juros, quão mais longo for o prazo do empréstimo, melhor precisa ser o rendimento via juros. Caso contrário é melhor investir na NFT (Tesouro Selic)

· MAS E A INFLAÇÃO? – “O preço do capital na visão do Banco Central”.


O conceito de inflação é a perda do poder de compra de uma moeda, esta perda é notada quando vamos ao supermercado e precisamos de mais dinheiro para comprar a mesma cesta de produtos de antes. Quando isso acontece de forma geral, não se engane, não são os produtos que estão mais caros e sim nossa moeda que está valendo menos.


O dinheiro, assim como qualquer produto, tem seu preço influenciado pela dinâmica de oferta x procura. Se temos muita procura por um determinado produto e poucas unidades a venda (baixa oferta), certamente teremos uma valorização no seu preço, já que os interessados estarão dispostos a pagar caro para terem o que querem – de maneira didática pensem em um leilão concorrido.

Com o dinheiro acontece o mesmo, se os juros estão baixos e está “barato” pegar empréstimos e ter mais dinheiro, provavelmente veremos uma desvalorização da moeda (inflação) que refletirá no aumento do preço das coisas. Ao mesmo tempo que investir em renda fixa será pouco vantajoso, já que os prêmios recebidos pelos juros baixos serão pequenos.


Quem tiver dinheiro aproveitará a oportunidade para comprar imóveis, abrir uma empresa, ampliar uma fábrica, trocar de carro, fazer reformas e viajar. E mesmo quem não tem se beneficiará dos juros baixos e pegará empréstimos e financiamento para fazê-lo. É a injeção de capital na economia, o dinheiro está barato e deságua com força na economia real.


Com tanta procura, o preço dos imóveis, do material de construção e dos carros aumentam – o poder de compra do dinheiro se enfraquece até um ponto de insustentabilidade - é isso que vimos em 2021, já que o Banco Central manteve a Selic a 2% ao ano (sendo 10% a média anual da última década).


O oposto acontece quando o Banco Central começa a aumentar a Taxa Selic e, assim, encarecendo os empréstimos e os financiamentos ao mesmo tempo que os investimentos em renda fixa passam a ficar atrativos. Quem tem dinheiro passa a preferir investir em ativos como os Títulos Públicos Federais, e quem não tem, passa a economizar tudo que pode. Consequentemente passamos a ter menos dinheiro na “praça” e menos consumo, levando a uma queda nos preços (ou cessamento no aumento).


É desta maneira que a disponibilidade de dinheiro em circulação é manobrada e a inflação é controlada pela política de aumento de juros.


Entender o conceito de inflação é essencial para entender o que é custo de capital. Um empreendimento “redondo” precisa gerar receita para cobrir seus custos e para formar uma reserva para manutenção/renovação de equipamentos, estas duas demandas representam o custo do capital e garantem, apenas, a manutenção do valor de mercado do empreendimento (ou seja, cobrir a inflação). O que chamamos de lucro é o excedente após destinar o custo do capital.



· CONCLUSÃO – “Base de entendimento feita, aguardem os próximos passos”.


Neste artigo expliquei o efeito dos juros sobre o capital, ressaltando a importância de buscarmos retornos em juros compostos e, principalmente, do efeito crescente destes juros no longo prazo. Mostrei que precisamos de uma referência para podermos comparar retornos oferecidos por diferentes títulos de renda fixa, e que esta referência deve se basear em prazo, segurança e liquidez.


Expliquei o poder corrosivo da inflação sobre o poder de compra do capital, e que para ganhar é preciso superar a inflação, e como a taxa de juros é usada para controlar a inflação. Este entendimento permitiu abordar que o custo do capital corresponde a taxa de retorno necessária para apenas manter o valor de mercado de um empreendimento atualizado.


Usei como exemplo a NFT (Tesouro Selic) e citei, por cima, que existem diferentes títulos públicos federais. Quanto aos outros? Aguarde, serão explicados no próximo artigo!

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